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terça-feira, 17 de abril de 2007

Navegador (Silvério da Costa)


Trata-se de uma obra reflexivo-existencial, cuja preocupação é a análise da “vida e da morte”, principalmente desta como limite daquela; tendo de permeio o tempo, para formar a trilogia temática mais em evidência na obra.

Navegador revela o conflito entre o Eu-lírico e a realidade, desnudando os choques violentos dele advindos. Ler Navegador é incursionar pelo mundo instigante e cientificista de Nilto Maciel, um poeta à moda de Augusto dos Anjos, o vate da decomposição, só recentemente reconhecido como um poeta sui-generis da poesia brasileira.

Espero, sinceramente, que o mesmo não ocorra com Nilto Maciel, cuja ótica sobre o transcendental e o terreno, com sua finitude, reside na lucidez de suas análises e na preocupação com a inexorabilidade do tempo que vai deixando suas marcas no corpo cujo fim é ser repasto dos vermes. Apesar de agnóstico, é preciso que se reconheça, desde já, a marca de um grande poeta em Nilto Maciel (embora ele seja muito mais um prosador), a fim de que o mesmo possa navegar em suas águas conflituosas, que são a sua fonte de inspiração, pois como diria Fernando Pessoa “Navegar é preciso”.

E é o que faz o nosso grande poeta de Brasília!

(Diário da Manhã, Chapecó, SC, 11/12/1996)
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