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quinta-feira, 14 de junho de 2007

Apresentação de Alberto da Cunha Melo (Urariano Mota)


(Alberto da Cunha Melo)

Pediram-me uma apresentação do poeta Alberto da Cunha Melo. Mas que posso eu fazer de mais eloqüente que copiar, humilde e em silêncio, trechos do seu “Oração pelo poema”?

“A cem quilômetros por hora
solto a direção do automóvel
para escrever alguma coisa
mais urgente que minha vida...


Ó meu Deus, eu quero escrever
a minha vida, não teu Céu.
Eu estou só e enlouquecido
como as ovelhas mais longínquas.


Dá pelo menos a esperança
de terminar o doloroso
poema. Dá isso a teu filho,
caído, e coberto de sal”.

E mais, do breve longo poema, porque o lemos e não lhe sentimos a extensão :


“Senhor, dá-me a palavra brisa,
irmã das fontes, dá-me agora
qualquer palavra que suavize
a minha vida, para sempre”.

Depois dessa apresentação, para nada dizer, digo:

Esse homem com a idade de 65 anos, que os amigos ouvem com a voz gasta por milhares de cigarros, esse Alberto da Cunha Melo em quem não enxergo roupas, corpo, cabelos, em quem só percebo os olhos com uma névoa, esse homem é um clássico. Vocês duvidam?
“Tudo que levamos a sério torna-se amargo. Assim os jogos, a poesia, todos os pássaros, mais do que tudo: todo o amor”.

Quando encontrei Alberto abatido e triste neste começo de ano, tive vontade de lhe dizer, “levante-se, amigo, porque agora começa o melhor tempo de nossas vidas. Será que você não percebe as promessas que se anunciam?”. Não sei se eu adivinhava, porque aos 65 anos de idade Alberto da Cunha Melo acaba de receber o prêmio de poesia da ABL. “As glórias que vêm tarde já vêm frias”, ele sempre gostou de repetir. Antes tarde do que nunca, eu poderia responder. Mas prefiro tornar público que todos estamos honrados na tua pessoa, no reconhecimento da tua poesia, Alberto. Toda a aldeia de poetas e artistas está em festa. E com isso, afinal, queremos apenas dizer: a poesia vence a morte, amigo.
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