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sábado, 11 de agosto de 2007

Lilith segundo Paspa Tordre (Nilto Maciel)



















O mais novo livro de Paspa Tordre, intitulado Os Filhos de Lilith, tem recebido as mais acerbas críticas. Desde criança Lilith quis ser fêmea humana, embora fosse deusa ou demônio feminino. Fantasiava-se de mulher, pintava-se, dançava, requebrava-se. E cresceu muito bonita, encantadora. Sonhava com heróis, homens fortes, guerreiros, reis. Imaginava cópulas intermináveis com seus amantes imaginários. E dessas relações nasciam crianças também fortes, futuros heróis. Lilith queria se perpetuar em muitos filhos. No entanto tinha consciência da transitoriedade da vida. Com a velhice também chegava a infertilidade. Assim, não se conteve mais e passou a freqüentar os leitos dos homens mais poderosos de sua terra, casados e solteiros. Conheceu o rei Gilgamesh. Coabitou com ele em suas noites de maior cansaço, exatamente durante o período da construção da muralha de Uruk.
A crítica tem sido indulgente com Paspa Tordre. Um dos mais ferrenhos críticos fez uma observação maliciosa: “Se se trata de um romance, o livro de Paspa é uma paspalhice: se se trata de um ensaio, o livro não passa de uma tolice.” Acredito tratar-se de ficção, vez que seria impossível escrever-se com fidelidade fatos de 4.000 anos atrás.
No livro de Paspa Tordre a personagem é uma mistura de mitos babilônio-assírios e judaicos. Lilith visita em sonho todos os reis assírios e babilônios. Enquanto eles dormem, ela os despe e se faz possuir por eles. Teria sido assim com Adão, o personagem bíblico. E com inúmeros outros homens ao longo da vida.
Os filhos de Lilith seriam verdadeiros diabos humanos. São seus filhos todos os grandes ditadores, os grandes assassinos, como Nero, o papa Clemente III e Hitler. Alguns de seus filhos Lilith também seduziu em sonho e deles teve filhos nunca reconhecidos pelos pais. Assim, Hitler teve um filho com Lilith. O parto se deu no Brasil e o menino recebeu o nome de Acê Eme Pinto, poderoso banqueiro e político a partir da morte de Getúlio Vargas.
O último capítulo do livro de Paspa Tordre narra a velhice de Lilith no Brasil. Um dos trechos mais cruéis, no dizer de alguns críticos, é este: “A velha deusa agora anda perdida pela noite paulistana. Drogada, desesperada, seminua, cata rapazes nas ruas, oferecendo-se por poucas moedas. Para a maioria dos habitantes da noite, Lili – ela assim se faz chamar – é um homem, um pobre pederasta. Sua frase predileta é – “Eu também sou filha de Deus.”
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