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domingo, 30 de setembro de 2007

Poesia (Caio Porfírio Carneiro)




– Leu a minha poesia?
– Li. Leu a minha?
– Li. Linda, linda.
– Linda é a tua. Eu quase choro.
– Eu também senti um nó na garganta quando li a tua.
– Deixa eu te dar um beijo de agradecimento.
– Deixa eu também dar um em você.
– Quando é que a gente troca de novo outra poesia?
– Vou fazer outra pra você no fim da semana.
– Eu também.
– Então tchau.
– Tchau.
Caminharam, em sentido contrário, ao longo do quarteirão. Ela conduzindo a sacola de livros e cadernos do colégio. Ele também.
Ele chegou na esquina de cá, ela na de lá. Viraram-se. Ele deu sinal de adeus. Ela também.
O quarteirão ficou deserto.
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