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quinta-feira, 29 de abril de 2010

Jovens Escritores Portugueses

Pedro Silva (Portugal)


Ao longo da minha vida aprendi a apreciar a literatura. Sem sucesso procurei, nos últimos anos, concretizar um projecto de revista literária e cultural, em formato impresso. Deste modo, resta-me a interessante alternativa da crónica literária. Assim nasce, portanto, a presente iniciativa que pretende manter a relevância e qualidade pretendida, no que diz respeito à divulgação da literatura de Portugal.

Sucinto, fluido e aberto a todos os que estejam interessados na literatura de qualidade, este espaço é, portanto, de todos nós.

Tal como o próprio título indica, este é o local para discorrer sobre jovens escritores portugueses. Portanto, de forma automática, isso significa que aqui estarão presentes as obras e os autores de que realmente gosto, após efectivo conhecimento, por intermédio da leitura, de algumas das suas obras.

Infelizmente, para muitos a palavra “ler” acarreta uma ideia de algo “maçador”. Porém, é nossa função, enquanto promotores da cultura, demonstrar o contrário. Daí a lista de títulos abaixo ser uma referência lógica para autores de qualidade e obras que despertam o interesse pela leitura.

Centenas, se não mesmo milhares, de obras já nos passaram pelas mãos, tendo lido a sua grande maioria. Até hoje ainda não houve um só título que não nos tivesse ensinado algo. E isso é outro dos grandes trunfos da literatura.

Bendita cultura e benditos momentos de ócio que nos permitem ter acesso a livros tão belos quanto aqueles referidos na presente crónica.

A cultura não é apenas motivo de divulgação intelectual. Da nossa parte, acreditamos que serve também para um intercâmbio entre pessoas do mundo inteiro. E foi com esse intuito que tomámos contacto com escritores de diversas nacionalidades, versando sobre temas diversos. Aqui iremos conhecer vários autores que permite uma maior amplitude no mundo das letras.

Se é verdade que, até por defeito profissional, apreciamos sobretudo os livros de cariz ensaístico, também não é menos real afirmar que, entretanto, após termos tido a oportunidade de contactar com tantos e tão bons autores, renasceu em nós um carinho especial pela boa ficção.

Conforme tem sido possível perceber, podemos viajar imenso, sem sair do lugar, apenas com a magia da literatura. Voemos alto, com os pés bem assentes na terra, pois então…

Desta feita, a nossa opção passar por três escritoras portuguesas, jovens e a criar o seu próprio currículo literário e, quem sabe, o seu próprio lugar ao Sol dentro de uma perspectiva de actividade no campo da escrita.

Em primeiro lugar, deslocamo-nos para o Oceano Atlântico, para visitamos a bela ilha de Angra do Heroísmo, onde conhecemos a autora Sónia Bettencourt Vieira, autora de “Pena e pluma” (2003, 31 pp.) que a coloca como um jovem valor português no campo literário. Com um estilo de escrita bastante moderno, Sónia Bettencourt não se coíbe de aventurar-se por vários estilos literários, como crónicas. Porém, é na poesia que mais se distingue, tendo, recentemente, tido a felicidade de publicar alguns dos seus trabalhos no Brasil, nomeadamente na editora independente Demónio Negro.

Um bom auspício para uma jovem nascida em 1977 que, de forma paralela, se vem destacando profissionalmente no campo do jornalismo. Publicou, igualmente, a obra “As três faces de Eva”, pela portuguesa Corpos Editora e vai paulatinamente criando o seu próprio espaço na literatura nacional. Poderá conhecer melhor o seu trabalho através do seguinte website: http://www.soniabettencourt.com/

Igualmente nascida no ano de 1977, oportunidade agora para conhecer a jovem Cláudia Sousa Mira que, a partir de Lisboa, nos apresenta três obras de cariz vincadamente literário, a saber: “Dançando à margem do infinito” (Carlos Monteiro Editores, 1999, 75 pp.), “Às 24 badaladas do sul ausente” (Ed. Minerva, 2006, 55 pp.) e “Na incógnita de ser quem sou” (Ed. Minerva, 1997, 53 pp.). Particularmente a obra “Dançando à margem do infinito”, em estilo poético, revela-nos a força de uma jovem escritora que, em 65 poemas, aborda ideias e vivências. Para além destes três importantes títulos, Cláudia publicou ainda “Laivos, simplesmente laivos – raiando a terra para além do mar” um livro que a própria autora define como «belo, provocador, irreverente, transfigurador, inquietante».

Natural da cidade de Setúbal, à beira-mar plantada, Cláudia – que, diga-se desde já, é licenciada em Psicologia – mostra-se uma profunda conhecedora dos sentimentos humanos, dominando as palavras como poucos e prometendo novos títulos de qualidade, aguardando pela sua merecida oportunidade de publicação no estrangeiro. Mais sobre a autora em: http://claudiamira.no.sapo.pt/

A mais jovem deste trio de escritoras portuguesas é Ana Macedo que, natural da cidade de Vila Nova de Gaia (1985), em “Sem pecados na culpa” (Gailivro, 2005, 212 pp.) demonstra toda a sua vitalidade literária. Da mesma editora é também a obra “Lágrimas coloridas” (2005), escrita ainda na adolescência e que se tornou o ponto de partida de uma carreira que, actualmente, vai caminhando a passos largos para um justo estatuto de romancista de qualidade. Para além do mais, a sua juventude permite-lhe uma maior proximidade com os jovens leitores.

Deste modo, Ana Macedo vem desenvolvendo importante divulgação da literatura, em escolas, demonstrando que compete a todos os escritores uma parte activa na promoção dos livros, do saber e da cultura. O espaço da autora na Internet encontra-se em: http://anamacedoescritora.blogs.sapo.pt/

Com alguma nostalgia à mistura, mas com a sensação de dever cumprido, chegamos ao fim desta crónica literária. Não apreciamos despedidas, até porque, também no campo das letras, os textos escritos podem ser lidos até ao infinito, desde que permaneça um registo do que escrevemos. Aos autores que destacámos, o nosso agradecimento e, naturalmente, fortes encómios pela qualidade da escrita, pela amabilidade na troca de contactos e votos de sucesso para o futuro.

É com todos eles que nós, leitores, iremos formar – segundo creio – uma “aliança” cultural, que promova a literatura e que dê espaço para novos escritores.
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