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segunda-feira, 5 de julho de 2010

(Outros) versos marinhos (Silmar Bohrer)



Vou por linhas paralelas

versinhos versificando,

e as rimas, tantas delas,

entre açucenas rimando.


Ares que me fazem bem

os ventinhos cá da praia,

e ainda trato com desdém

essa tal de essência gaia.


Viver versejando versos

eis então o que se adora,

versos pobretes, dispersos,

todavia, ou embora.


Uma noitinha toutinegra

estamos vivendo na praia,

nesta noite não se arregla

nem mesmo a essência gaia.


Serão versos silmanares

estes versinhos meus,

sei que são bem exemplares

aos olhos do bom Zeus.


Daqueles dias enfadonhos

em que o sol está ausente,

ventos, ventinhos medonhos,

nuvens nublando a gente.


Velocidades constantes

ventarolando os ventinhos,

são os dóceis arezinhos

ventando esvoaçantes.


Sentar cá no escurinho

é uma delícia sem par,

me vou longe a divagar

buscando algum versinho.


Como vou eu então ficar

sem o menor pensamento,

é folha levada ao vento

que corro longe a buscar.
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