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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Carcomido (William Lial)

Tudo o que vejo agora

são paisagens negras,

árvores mortas e flores secas,

nuvens cinza que usurpam meus olhos,

corpos estranhos que se movem inexplicavelmente.


Tudo o que vejo agora

é a terra morta que paira nos meus olhos,

é o sentimento amargo que corrói

vários peitos ignominiosos,

é o beijo falso que beija bocas

como se beijasse vermes.


Tudo o que vejo agora

é tudo o que não quero ver,

são esses olhos negros

e esses braços içados, marciais,

são esses peitos que arfam

prazenteiros a morte que os almeja,

são essas bocas pornográficas

a vomitarem palavras podres,

são amores falsos,

verdades tortas,

retas circulares,

luzes apagadas,

são meios-homens

que amam meias-mulheres,

paixões violentas

que destroem mundos,

demência coletiva

que cultiva a tortura,

sorrisos cínicos

que seduzem os miseráveis.


Tudo o que vejo agora

é a mentira da paz utópica e bélica,

é a falácia ruminada de ancestrais

que se fizeram deuses

para que a história os fizesse imortais.
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