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sábado, 16 de outubro de 2010

Docência (Benilson Toniolo)


Não sei se viste,
Mas o sol desta manhã era maior que o mundo,
E maior também que o nosso coração turbado.

Ainda ontem um pássaro
Pousou sobre os galhos que sombreiam o rio,
E seu canto amarelo apaziguou
A agonia da tarde.
Mas nada vimos:
Nossos olhos e nossos corações
Se ocupavam e se multiplicavam pelas lousas
E cadernos.

Nada temos além das nossas vozes
E as horas debruçadas sobre escritos, mapas e cálculos
– Viagens que nunca fizemos,
Mas que nos sustentam
E habitam os abismos que infestam
Nossa alma carregada de esperanças.

Não sei se enumeraste dias ou noites,
Se armazenaste as dores
De ensinamentos apaixonados,
Se imaginaste canções
Para cada momento de alegria ou desespero,
Ou o motivo pelo qual
Te ausentas de casa para edificar pessoas
E nações.
De muitas coisas não sei.

A vida segue sem nos darmos conta,
E o que nos sobra
– este sol maravilhoso e insano –
Insiste em iluminar-nos o caminho
E a esperança,
Como se merecêssemos, apesar de tudo,
Começar mais um dia.

Eis o edifício, e as salas
E os que nos esperam sedentos, com olhos de fogo,
Pelo que há em nós
Pelo que somos
E pelo que construiremos diariamente
Com nossas vidas abnegadas
E permanentemente apontadas
Para o futuro.

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