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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Exílio* (Emanuel Medeiros Vieira)

(Emanuel em visita ao passado)



Um Atlântico nesta separação:


batido coração segue as ondas de maio.


Desterros além da anistia,


para lá dos poderes.


Velas ao vento,




não bastam os selos,


a escrita crispada.


Queria os sinais da tua pele,


vacinas, umidades, penugens,


pêlos perdidos no mapa do corpo,


o olhar suplicante, soluços.




Jornadas:


missas de sétimo-dia,


retratos arcaicos.


Outro exílio:


sem batidas na boca da noite, armas, fardas, medos,


clandestinidades.




Sol neste retorno:


casa, guarda-chuva no porão, caneca de barro,


álbuns, abraço agregador,


cheiro de pão, gosto de café,


o amanhã junta os dois nós da memória,


um menino e o seu outro: estou melhor feito vinho velho.




*Poema premiado no Concurso Nacional de Poesias, cujo tema foi “O Mundo do Trabalho”, promovido pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, Paraná.
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