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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Tristeza de escritor (Francisco Miguel de Moura*)

(Poema colhido em Revista Cirandinha: ver link ao lado)

(O poeta e a solidão)


quis recolher as emoções mais raras

de ternura, de amor, nos livros meus.

escrevi-as nos dias - noites claras -

nas caladas da vida, o' santo deus!


chorei dores daquelas sem aparas,

como sofrem, sem culpa, tantos réus

vivi vidas sem nome, de tão caras

como suster a fé entre os incréus.


tanto trabalho e tanta luta em vão!

frutos virgens apanho em meu declive

e ofereço aos que passam. nem se dão...


por tudo, uma palavra nunca tive,

nem de consolo nem de compaixão.

tristezas de escritor só ele vive.

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