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sábado, 11 de dezembro de 2010

Amo e odeio (Francisco Miguel de Moura)


A manhã é meu espelho:

– Odeio as coisas feitas,

quero-as todas por fazer.

Odeio o que é eleito,

quero é constrangê-lo.

Odeio o preço de mercado,

quero a liberdade sem recado.

Perfeição, repetição, alienação...

Odeio o único e o todo,

amo apenas o singular

entre tantos e outros.

Quase morro de tédio

por ter criado objetos, abjetos

porque não tinham arte.


Amo ser pleno e livre,

com uma felicidade sem remédio.


Ou o dia que não se repete.
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