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quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Canto de Temporal (Raymundo Netto)


(Night and Sleep (1898), Evelyn de Morgan)


Em estado de algofilia...

Só tem explicações para tudo

Aquele que não vive nada!

Emoção confusa,

Mente obtusa

Em campos de concentração.

A imagem candente serpeia imprudente

No seu instante ocular.

Combalida, sofrida, esquecida

E inconstante em seu arfar,

A visão impudente

De sua vida celulada

Compõe a terra azul,

Fogosa em seu abrigo,

Ao cigarro amigo,

Ao vinho de caju.

Desaparece a sua fragrância no espaço...

Seus ensaios, em circunlóquio,

Reportam-se em beijos no mar.

Mundo desnaturado, morto de vidas, desencantado.

Caíra no chão pela última vez a voz

O coração sangrando sucumbe a só

A ilusão do pulsar que irradia.

Caíra no chão e pela ultimenésima vez a voz vocifera

Calara a quimera, mal que impera na dor que ardia.
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