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quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

E Agora José? (Carmen Silvia Presotto)



Hei! Não digam nunca não…
Drummond?



Cadê a minha matéria que é feita de outros?
E o povo, José?
Ver nada é pouco para tamanho vazio,
por isso, quando a noite cai, visto-me de lua
não digo não, nem nunca…
Apenas, adorno-me para abocanhar o sol
sei que nos amanheceres, nem perceberei o tilintar das moedas, nem o tempo, nem a distância.
Não digo não nem nunca...
Apenas, preencho brancos espaços com febris palavras.
Sei que elas anestesiam lobos e cordeiros
LobOdeirOS que amenesiam latentes universos
Zeros covardes pulsam, mas não amortecerei a um nunca, nem a uma imagem, nem a um mundo de míseras horas…
Hei! Não digam nunca não…
Já houve um tempo
já houve um verde espaço
sem hipocrisias…
Já houve um Norte
já houve um Einstein
Tempaço!
E cadê nós, José?
Sem alma tudo é lama ou carne petrificada…
Santa Hipocrisia...
Esse é o povo que me quer pura e alva?
Quem são esses mortais, José?



Baco
Hermes
Dionísicos momentos?
Cálices Insanos!
Marcaram-me com sangue para colher minha única brancura.
E Agora derreti, sou neve no gelo, livro no ar…
Hei! Não digam nunca não…
José, querem nossas vidas, mas agora feito de povo escrevemos...

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