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terça-feira, 8 de março de 2011

Jornal do Enéas (Nilto Maciel)


(Enéas Athanázio)

Às vésperas do carnaval, antes de fugir para a serra de Baturité, meu berço, o carteiro me entregou um envelope vindo do Sul (do Brasil). Remetente: Enéas Athanázio, meu amigo há quase 40 anos. Não era uma carta, mas o Jornal do Eneás, número 29. Li a primeira página: artigo de outro amigo, Francisco Miguel de Moura, dedicado a Claude Lévi-Strauss.


Na segunda dei de cara com mais um amigo: Celestino Sachet, com o artigo “Um poetinha de água doce”. Celestino me honrou, há muitos anos, com um estudo: “Ficção e facção no romance de Nilto Maciel”. Que assim se inicia: “Uma viagem por três romances – preferiria dizer “novelas” e, com isto, aprofundar o sentido da narratividade de cada um deles – uma análise de três curtas estórias – A Guerra da Donzela, O Cabra que Virou Bode e Estaca Zero, escritas ao longo de uma década e sob o impacto do desenvolvimento urbano de um ficcionista marcado pela Nordestinidade – apontam para uma direção fortemente original na Literatura Brasileira Contemporânea: o Maravilhoso do Sertão que se desmaravilha, imerso na guerra do real urbano, onde o bom Mito do Passado se arrebenta, carcomido pelo péssimo Rito-da-Passagem”. Uma aula de mestre!

A página terceira do jornal vem com Betty Sanson, de Brasília (minha terceira pátria), no breve “Monteiro Lobato racista???”. Segue-se trecho de carta de Trajano Pereira da Silva a Enéas e, nela, um desabafo de Lobato: acusavam-no de ser ateu, comunista e passadista. Agora, de racista. A quarta mostra Sérgio de Agostino, em “Uma Orquídea, por favor!”, e Guilherme Queiroz de Macedo, em homenagem a Enéas e seu jornal. Do outro lado da folha, pequenina crônica de Patrícia Ribas Athanázio Hruschka, uma lembrança (só os nomes) de quatro escritores mortos e poema de Milton de Godoy Campos, manuscrito. A sexta página traz seis poemas: que delícia! Três são meus amigos: Paulo Nunes Batista, Silvério da Costa e Silmar Bohrer. Os outros são Alberto Carlos Marques, Aline leal e Filemon F. Martins. A penúltima folha apresenta fotos e um desenho. Numa delas, Enéas na entrada da cidade de Vargem Bonita, Minas Gerais, “primeira cidade banhada pelo Velho Chico”. Fecha-se o jornal com o conto “Simpático”, do velho Athanázio, que ninguém é de ferro para não ter vaidade ou não querer mostrar a própria obra.


Enéas Athanázio na Estante Virtual
Enéas Athanázio no Jornal de Poesia

Sugiro aos leitores uma troca de ideias com Enéas: e.atha@terra.com.br

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