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sexta-feira, 4 de março de 2011

Uma carta a um soldado das palavras...(Carmen Silvia Presotto)



Que dizer a alguém do Front?

Que a Terra existe? Que o ar é navegável? Que a água é limpa?

Que dizer para alguém

que sabe que o sino logo se dobrará?

Uma carta, um jogo, um coringa será velho ao jogo desse oráculo de carne,

que sem palavras segue feito muralha de sua própria orada,

tipo corpo caído

ave sem pouso

que dizer?

Seguir a insegurança de quem se nomeia soldado entre soldados.

Batalhão de choque, pelotão de uma ordem mundial, a ti envio este universo em branco, e eis minha batalha solidária a mais conVersas.

Uma página

entre cadernos é só o que me alcança em tuas linhas.

Um ponto na tua vírgula. Um acento no teu viver. Uma aspa na tua coragem de seguir a ordem de alguns covardes

e no final

meu desejo de que a irrealidade se vista de esperança

e onde uma mina se estilhaça, minha mão não alcança o que meu sentimento tenta sublimar... por isso escrevo, escrevemos, publicamos a nós e a outros e seguimos soldados de amor à Arte.

Beijos,
Carmen Silvia Presotto
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