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domingo, 20 de março de 2011

Ventos poéticos (Tânia Du Bois)




“Grão de areia arrastado pelo ar, eu sentia sumir-me o chão dos pés, levitar, alçar voo... E me guiavam os quatro ventos...”. Nilto Maciel, em sua poética, mostra-nos que as mudanças climáticas afetam a vida e a paisagem dos homens. Fazemos ideia do poder que o vento tem? O que se revela ao decidirmos sair em caminhada para sentir o vento? Esse, o desafio.


Jorge Xerxes poetiza que “Cada um de nós / traz dentro do peito / uma brisa / alguns dias sopra fraca / parece sufocar a calmaria...” E Benedito Cesar Silva revela: “Folhagens ao vento / gosto de beijo marcado / olhar paralelo.”



A liberdade é revelada: os sonhos levam a decisão: a criação literária é retratada tão fielmente quanto o prazer do amor, como se fosse fotografada a beleza da fantástica vida através da poesia, como em Francisco Alvim: “Passeiam os dias / e o tempo não se extingue- / vento no infinito // O tempo me veste com seu sopro estranho / Sou uma luz em que ele bata”



A ideia é avaliar os efeitos dos ventos poéticos, que, ao se depararem com as sensações, anseios e liberdade, descortinam poemas que se adaptam à necessidade do poeta, na pretensão de revelar o caminho da paixão de escrever com a versatilidade do repertório que escolhe para construir seus ventos poéticos, como no livro A Geometria dos Ventos, de Álvaro Pacheco, “O vento / que faz amor com as nuvens, / afugenta o sono, / e interrompe / a serenidade do voo de Ícaro,...”



As manifestações se dão de formas variadas, com o objetivo de mostrar que cada dia é um amanhã de acontecimentos inesperados, dando emoção extra aos ventos, como os versos poéticos do livro Portas e Ventos, de Pedro Du Bois, “Ouço o vento / invisível: tenho medo / do vazio / do mundo / (das sentenças) / tenho medo / dos barulhos / do mundo / (das sentenças) / tenho medo / da minha sentença.”



Vale sentir os ventos e refletir sobre os pensamentos do poeta, como grande conquistador do espaço da arte literária. A partir daí, tornar-se parceiro de caminhada, prendendo o leitor até os últimos ventos, como na visão de Francisco Alvim, “Às vezes penso na morte não como medo, uma dor / mas como vento forte”.
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