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segunda-feira, 9 de maio de 2011

Generosidade cotidiana (Ronaldo Monte)




Não vou falar da morte de Bin Laden, nem dos espetáculos midiáticos patrocinados pelas monarquias decadentes da Inglaterra e do Vaticano. Tampouco me interessa a composição da comissão de ética do Senado nem os rumores sobre a volta da inflação. Nada disso tem valor se comparado aos atos de generosidade com que somos contemplados no cotidiano.

Vejam se não tenho razão: cheguei em casa um dia desses e encontrei sobre a mesa o novo livro de poemas de Eloi Firmino de Melo, “Um floral de sombras”. A capa é bonita, os poemas são bons e me deixaram alegre um bom tempo. Outro dia, depois de algum tempo de aborrecimento numa agência bancária, ainda na fila do caixa eletrônico, recebo das mãos amigas do Águia Mendes outros dois livros de poemas: “Sol de algibeira”, em que o poeta passeia entre a morte e a paixão, e “Um boi pastando nas nuvens”, escrito para os nossos resquícios de infância.

É raro o dia em que não saio de casa de mãos abanando e volto com algum presente impresso dado por algum amigo poeta. Às vezes, nem tão amigo, às vezes nem tão poeta, mas a generosidade é boa e verdadeira.

Mas a generosidade que me cerca não se resume a livros bem ou mal escritos. Esta semana, uma vizinha, até que nem muito próxima, nos deu três abacates colhidos em seu próprio quintal. Me fez lembrar uns vizinhos que tive no Recife, com nossos quintais separados por um muro baixo que nos permitia saber das novidades sem sair de casa. O bom dessa intimidade é que, todos os sábados, entre as onze e o meio dia, lá estava um copo de cuba-libre me esperando suado em cima do muro.

Parece mentira que ainda existam vizinhos assim, por trás desses muros altos e cercas eletrificadas. Mas eles existem e nos dão de presente o fruto secreto de sua generosidade.

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