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quinta-feira, 19 de maio de 2011

Quero alegria (Luciano Bonfim*)

“Eu já sei por que choras, palhaço”.
Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito.



Discordo quando dizem que os palhaços são pessoas que riem de dentro para fora.

Acredito que os palhaços não conseguem rir de dentro para fora, visto que por dentro são ocos de alegria.

Conheci um que, não conseguindo morrer de rir, suicidou-se na sua própria euforia.

Eles não mostram nem os seus próprios risos nem arrancam a sua mais recôndita gargalhada, posto não a possuirem.

Os palhaços são personagens de sua própria vida triste, de suas desilusões; vivem cercados de cores para esconderem o fosso em que estão metidos.

Os palhaços não conseguem rir de si mesmos – riem de fora para fora, somente por entre os dentes, somente através do público. De perto eles não têm graça alguma.

Os palhaços são pessoas tristes, como todas as outras pessoas do mundo.

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*Luciano Bonfim [Crateús/CE.]. Publicou: Dançando com Sapatos que Incomodam – Contos [2002]; Móbiles – Contos [2007]; Janeiros Sentimentos Poético [1992] s e Beber Água é Tomar Banho por Dentro[2006] – Poesia; escreveu e montou as peças: Auto do Menino Encantado [2002] e As Mulheres Cegas [2000 e 2004]; criador da revista Famigerado – Literatura e Adjacências [2005]; professor da Universidade Estadual Vale do Acaraú – UVA [desde 1996]; aluno do mestrado em Educação Brasileira [FACED-UFC/2006].
e-mail: luciano.bonfim@yahoo.com.br
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