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sábado, 7 de maio de 2011

Uma carta poética a Gullar e às mãos que escrevem (Carmen Silvia Presotto)


Querido Poeta (s)!

Era domingo quando a crônica chegou e tuas palavras me deram um tapa no tempo… Sim! Quanto tempo nos permite receber e viver da indenização máxima? Quanto tempo teremos para viver de favores? Quanto tempo teremos para arrumar uma solução para quando chegar a hora? Quanto tempo as musas nos protegerão?
E nesse jogo de tempo vamos catando palavras como se catássemos brumas, como se catássemos sereno e como se catássemos rosas vamos sendo os espinhos, a dor ambulante, a descrença andante de toda uma contemporaneidade…

Quanto tempo, poeta?

E Maiakóvski e Woolf e Plath e Artaud e Lispector e tantas outras mãos, poetas? Vão seguir nos seguindo, feito fantasmas que esperam respostas de grandes editoras, escutando que Poesia não vende, que poucos querem nos publicar?

Bem, por não aguentar mais tantas VOZES “que não vêm de mim”, submundos que talvez venham do “espelho do guarda-roupa”, estrelas que me beliscam em mil e uma noites, resolvi não congelar mais meu tempo.

É difícil!

Tu bens sabes, meu querido poeta, mas temos que fazer algo… além de escrever… temos que seguir acreditando, divulgando, versandoCOM… conVersando colocaremos nossos gritos na rua, no ônibus, e talvez, em escolas que é onde os Poetas deveriam estar, lidos, tocando mais vidas e subvertendo o pensamento que “formata”.

Bem, descruzar os braços é o primeiro caminho para mãos que desejam seguir conversando, depois elas se entregam à página branca, encontram a tinta e com sangue escrevem o que pode atingir outros tempos, por isso Vidráguas um poema, um site, uma editora..., e aí chegamos a um ponto em comum: “era domingo quando o telefone tocou”, encontrando-me num sábado pela manhã a grandes versos, a uma grande Escritura, a uma Poesia Viva que sorri com a VIDA DE POETA, porque já chorou bastante e este, mais do que ninguém, sabe que morrer é seu ofício, e portanto escreve e Vive no desejo de ser lido e seguir vivo, entre palavras, carregado pelo povo.

Um abraço carinhoso a todos e penso que vale reeditar esta carta para celebrar o momento e seguirmos atentos e juntos no caminho de mais poesia a todos.

Carmen Silvia Presotto
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