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quarta-feira, 22 de junho de 2011

O poeta se despede (Carlos Nóbrega)


 
Fechar o zíper dos cílios,
fechar a braguilha do olhar:
Calmar o falo do olho
que em tudo que vê quer tocar.
Parar de ter fome e sede
por toda palavra que há,
Jogar o corpo na rede
jogar a alma no ar,
Deixar a alma brincar
o jogo da amarelinha
até que ela chegue ao Céu
Até que não seja mais minha.
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Do livro Árvore de manivelas

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