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sábado, 16 de julho de 2011

Passagem do tempo: lembranças (Tânia Du Bois)



“... o que parou no passado: / tenras lembranças, sentidas / Que na vida transitória / Lá no fundo da memória / A gente tinha guardado”. (Tenebro dos Santos Moura)
A passagem do tempo é uma releitura dos fatos da nossa história. São tantos os acontecimentos que, por vezes, lembramos como, onde e quando aconteceram. Outras vezes, se revelam em desordem que solapa a memória. Como em Carlos Pessoa Rosa: “... sabemos como a memória traz a tona recalques cuja existência muitas vezes ignoramos e que poderá turvar ou distorcer o que tínhamos como certo...”
É bom sabermos que a memória é uma espécie de selo de qualidade. Porém, mais cedo ou mais tarde, de uma forma ou de outra, ela falha para todos nós e deixa nossos dias vazios, sem recursos para pensar sobre as questões pessoais, interrompendo a nossa rotina.
São tantos os momentos para lembrar em minúcias e as decisões para tomar, que nos sentimos sobrecarregados por não contarmos mais com a memória. Então, buscamos limites em nós e recordamos as boas escolhas em prol da qualidade da existência.
“... lembranças e saudades, sentimentos ligados à memória
que fazem o homem descortinar outras sensações
que se encontram ocultas dentro de si.” (IGdeOL)
É na passagem do tempo que percebemos como perdemos a beleza e ganhamos a tolerância junto com a felicidade e o amor, que pedem passagem e em histórias paralelas lembram a paixão e a desilusão, num só reflexo. A sensação é de que ao lembrarmo-nos dos fatos e atos acrescentamos algo significativo aos nossos dias.
“Na paisagem no espelho. / Uma releitura, / visto que o tempo passou, /
E, na face, marcou / os caminhos da felicidade. (Benedito Cesar Silva).
É bom estar ciente de que a vida é desafio e que um gesto pode nos fazer ganhar tempo e movimento, como o amor revela o tempo em lembranças. As imagens, os sons e as sensações podem fortalecer a memória.
“Na memória / gestos e tempos / perdidos / em lembranças. // Minha lembrança/ quer o tempo parado // no mesmo banco da praça.” (Pedro Du Bois)
A passagem do tempo é cortina, momento de suspense, e que ao abri-la deparamo-nos com as lembranças, seus significados e seu efeito restaurador, capazes de elevarem o nosso sentimento para seguirmos em frente vivendo nossa singularidade e buscando o tempo que nos permita sermos felizes. Quando não esquecemos é como termos encantamento pelas páginas da vida. Não podemos perder a chance de reviver as lembranças e de merecermos conservar os fatos.
“... o homem é a sua verdade / em todas as fases / dos seus sonhos /
e na ilusão da realidade”. (Pedro Du Bois)
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