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sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Passio (Emanuel Medeiros Vieira)

(Para o Fábio Vieira Heerdt)

(...) “E de moda em moda, ocupamos o tempo que, senhorio cruel, nos desaloja”.
(HP)

A) Aqui, irrompe o pranto
não a redenção.
B) Redigo o diário de bordo
(o mar é interior)
C) Preparo o inelutável ritual:
pronto está o farnel: água no cantil, pão de centeio.
(Folha de papel em branco, lápis, borracha.)
Retenho o cheiro de orvalho – caído numa manhã de infância.
D) Restaram empáfias, vaidades, simulacros, engenhocas eletrônicas.
E) Paixão vem do latim Passio.
A tradução é sofrimento?
F) O estoque de capital anunciado não me sacia.
G) Nada me sacia?
H) Navegador do Apocalipse?
I) O mar não me alcança – a juventude longe.
J) Luz para o caminho: uma vela só vale acesa.

(Brasília, maio de 2010, e Salvador, novembro de 2011)
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