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sábado, 26 de maio de 2012

Perguntas sobre o amor (Tânia Du Bois)


Vale o amor. Vale amar para sentir o vento, a paisagem e ver as cores da natureza e, assim, comprovar que temos mais do que o jardim da casa; que amar e ser amado faz-nos sentir inspirados.

Amor, esse sentimento nos energiza, inquieta e dá a sensação de que sempre falta algo para se chegar aonde quer que seja, gerando perguntas e mais perguntas... Será que somos capazes de amar e entender o amor? Ouvir sinos, sentir o frio correr na espinha, seria amor? “O que será / um contínuo estado de felicidade?”, conforme Egberto Penido? A felicidade de amar e sermos amados se compara aos sons do vento?

Há como recolher a sombra de si mesmo na lembrança do amor? “Triste? / Por que estou triste? / Estou triste por amar”, como em Marina Du Bois? “Penso: foi em te ignorar / A minha forma de amar?”, nas palavras de Eduardo Barbosa? “... Que palavras /sussurras / ao coração /que as lágrimas cobrem?”, nas dúvidas de Armindo Trevisan? “Por que o amor não continua?/ Que força maior o extermina?”, na visão de Alberto da C. Melo? “Amor, amor aquele e aquela, /se já não são, para onde foram?// Ontem, ontem disse a meus olhos / quando voltaremos a ver-nos?...”, no questionamento de Pablo Neruda? “Entre os teus beijos.../sorrindo e soluçando de delícia, / quando te abraçarei na Eternidade?”, na versão de João de Cruz e Sousa?

Nas lembranças, as percepções do amor são como encontrar o caminho para criar um poema? Jorge Reis-Sá disse que “Não se pode perguntar a um poema o que pensa do amor. O poema é parco em respostas” E Nilto Maciel questiona, “Pra que fazer poemas de amor, / se já os há em demasia?”

Então, respondo que parar diante da paisagem e ficar horas esquecida de mim, juntar frases e poemas com palavras de amor, dançar no jardim e receber flores do amado, é perceber o futuro na próxima manhã, poder olhar o horizonte e enxergar além... E, além de viver o momento de felicidade, é também ter o privilégio de poder ler o livro “Amor que serena, termina?”, de Juan Gelman, onde ele constrói uma paisagem irretocável. Por isso, pergunto: procurando o amor? Patrícia Hoffmann responde, “Não procures o amor / na solidez do teu vazio.” Nilto Maciel mostra o lado refletido diante de um olhar carinhoso, “... assim é o amor: vives zombando, / eu te falei de amor, não me escutaste / e os ouvidos, sorrindo, tu vendaste!” // Mesmo assim continuo ainda te amando, / que embora só desprezo tu me dando, / somente com um olhar me consolaste!”
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