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sexta-feira, 22 de junho de 2012

As gerações literárias do Ceará (Jarbas Junior)



(Casa de Juvenal Galeno, pátio interno, em Fortaleza, Ceará)

Tudo começou na década de 70, com o Clube dos Poetas Cearenses na Casa Juvenal Galeno, perto do teatro José de Alencar; éramos 25 promissoras vocações literárias, todos com alguma poesia na gaveta. Márcio Catunda, em 75 era o presidente da instituição. Havia o Carneiro Portela, Mário Gomes, Dimas Macedo, Natalício Barroso, Nilto Maciel, Barros Pinho, o sonetista Júlio Ribeiro, Batista de Lima; lembrar nomes, às vezes, é cruel; recordo agora um título de livro admirável – Roteiro dos pássaros – e a memória falha, em declinar o autor. Época formidável; nossas reuniões ocorriam sábado à noite, depois, íamos a Emcetur tomar uns tragos e paquerar musas de sorriso fácil.

Nosso grupo se constituía, geralmente, de estudantes das faculdades de letras e direito. Por isso, Artur Eduardo Benevides, Cid Carvalho, Horácio Dídimo, Sânzio de Azevedo, Carlos D’Alge, Macambira, José Alcides Pinto eram nossas referências e mestres vivos e ídolos pontuais. O Artur empolgava, pela figura aristocrática, boa poesia e cultura vasta e eclética. Outro, tão próximo de todos nós, pela coragem de romper com a cátedra de Sociologia da UFC em troca da poesia em tempo integral, o JAP, um exemplo audacioso de poeta autêntico fascinante. Sua lição maior, e versátil polígrafo em prosa e verso, de irresistível magnetismo pessoal, criativo, lírico e maldito que nos ensinou a ler Rimbaud, Verlaine, Lautréamont, Vigny e Augusto dos Anjos.

Hoje, todos nós estamos na lira dos cinquenta anos, ainda em busca de decifrar o claro enigma que nos ocupa tempo e eternidade.

Proponho mais uma reunião do Clube dos Poetas Cearenses. Constatar se valeu a pena, tanto engenho e arte em prol da invenção de Orfeu. Quem concordar levante um poema pela causa.

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