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quarta-feira, 13 de junho de 2012

A garçonete (Mariel Reis)




Movimentava-se através da fumaça
A bebida fazia-me crer em uma aparição,
Os colares e as pulseiras brilhavam
E a intensidade do que eu via
Encontrava um caminho direto ao meu coração
Era um curso d’água em uma colina
A música do inseto na algazarra da tarde,
O vozerio ruidoso dos homens
E o agudo som dos talheres na mesa
O cabelo tingido de escuridão
Os olhos de uma fera acesa
E a intensidade do que eu via
Encontrava a minha alma levada pela correnteza.
O avental repleto de gordura
A predileção pela cozinha japonesa
Pratos ricos em legumes e verduras
Conservava toda sua beleza
Era uma aparição eu cria
Aproximou a boca aos meus ouvidos
Pediu-me com o coração contrito
O alimento de minha poesia
E a intensidade do que eu sentia
Encontrava a minha alma levada pela ventania.
Movimentava-se através da fumaça
A bebida fazia-me crer em uma aparição,
Entre o vozerio raivoso dos homens
Os talheres caídos no chão
Quando me murmurou o seu nome
Que ardia como o carvão
Quando o fogo o consome.
Se não era mesmo uma fantasmagoria
Pergunto-me que tipo de magia
Prendia-me ali então
E a intensidade do que via
Encontrava a minha alma dolorida
Pedi “dê-me a sua mão”
Enquanto tudo era levado pela ventania
E dissolvido pela luz de um dia
Tão intenso de um tardio verão
A bebida fazia-me crer
Espremia os olhos para ver
Era mesmo uma aparição.

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