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terça-feira, 3 de julho de 2012

Comentários ao artigo “Se ficar o bicho pega, se correr o bicho come” (Nilto Maciel)


Segundo o contador automático de leituras (?), meu artigo “Se ficar o bicho pega, se correr o bicho come”, publicado no dia 2 de julho, foi visto (“visualizações”) ou lido por 162 curiosos (até 10 horas do dia 3). Onze deles postaram comentários: Abel Sidney, Aurivan Aragão, Emerson Monteiro, Fernanda, Geovane Monteiro, João Carlos Taveira, Nara Rios, Pedro Du Bois, Rosângela Rocha Vieira, Salomão Sousa e W. J. Solha. Agradeci a cada um e aqui agradeço de público a todos. Além disso, tenho recebido muitas mensagens. Transcrevo (com autorização) algumas delas:


De W. J. Solha (João Pessoa, PB):
Hoffmann, leio, ontem, as crônicas de Este Mundo é Pequeno, em que você põe Nilto Maciel nas nuvens, e eis que recebo pelo correio, indagorinha, o volume de 325 páginas – A Arquitetura Verbal de Nilto Maciel, de João Carlos Taveira – com uma riquíssima fortuna crítica em cima da já vasta obra do nosso amigo, em que compareço com uma resenha de Carnavalha. A Arte foi extremamente generosa com esse cearense sem fronteiras, daí ele ser tão generoso quanto você, com todos os que fazem literatura neste país. WJ Solha

De Michael Kegler (Hofheim, Alemanha):
Parabéns por essas linhas! Adorei e muitas vezes sinto exatamente isso. Detesto mentir e dizer "interessante" quando não gostei. Mas não quero ser bruto, por isso tentei alegar a falta de tempo e dizer que "ainda não li". Por outro lado, prefiro dizer que realmente ainda não li, em vez de mentir "interessante" alguma coisa que talvez fosse mesmo boa, só porque ainda não tive o tempo de me dedicar à leitura. Um grande dilema do leitor profissional. E sei que ainda tenho aqui uma porção de volumes seus que (realmente) ainda não li - embora tenha gostado daquilo que verdadeiramente li de si. Por isso, da minha parte, só um pequeno sinal de vida, e um "obrigado" por este texto. Um abraço da Alemanha. Michael Kegler

De Jorge Tufic (Fortaleza, CE):
Grande Amigo Nilto Maciel, Irmão Maior: Diante de sua produção da mais alta qualidade literária, admira-me ver como você ainda atende a tantos neófitos, como eu, e com tanta prodigalidade. Desde Manaus que nos correspondemos, desde O Saco, sabendo você dar-se por inteiro aos leitores e pretendentes de um lugar ao Sol da Literatura. Mas sempre incansável. Não sei de alguém mais, neste País, que faça tanto pelas letras, quanto o nobre amigo. Olá, poeta! Pode fazer o que quiser desse modesto comentário. O Brasil inteiro gosta de Nilto Maciel, tanto como escritor, quanto como pessoa. Abraço forte. Jorge Tufic

De Chico Lopes (Poços de Caldas, MG)
Nilto: li teu artigo e acho excelente que você desista da crítica, do incentivo a esse pessoal que te escreve mandando livros ruinzinhos pra obter um elogio (crítica decente jamais aceitam). Creio que uma vez te aconselhei a fazer isso. Não sou crítico ou resenhista, e adotei o hábito de falar apenas dos livros que aprecio, pra não ficar desancando os outros e atraindo inimigos bestas, Narcisos machucados. Hoje escrevo pouco sobre livros, em geral sobre autores estrangeiros, já com nome, pra destacar ângulos menos comentados ou algo que me pareça significativo, ou fico na crítica de filmes, onde a vigilância, o patrulhamento dos chatos é menor. Autores novos (e brasileiros) são tiranos nisso de quererem louvores. Prefiro me abster e fazer minha literatura, porque o tempo é precioso, já passei por um enfarte e carrego três pontes de safena no peito, sei que minha vida não será longa e tenho ainda algumas coisas a escrever. Vivo pedindo aos deuses um tempinho a mais pra poder cumprir meu destino de escritor ou de artista em geral. Abraços. Chico Lopes

De Rauer Ribeiro Rodrigues (Ituiutaba, MG):
Excelente crônica, caro Nilto. A ironia e auto-ironia do último parágrafo creio que passarão despercebidas por muitos leitores, em especial entre os escrevinhadores mal-ajambrados. Abraço grande, Rauer Ribeiro
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De Franklin Jorge (Natal, RN):
Excelente. Não resisti e publiquei em minha página. Franklin Jorge

De Alice Spíndola (Goiânia, GO):
Nilto, querido amigo, será que você vai conseguir? Dos inimigos, o estímulo. Sou fã do seu trabalho, tanto de crítica, como de poemas e de contos, romances. O Nordeste precisa de você, e quanto! Com toda a cordialidade, Alice Spíndola

De Ádlei Carvalho (Belo Horizonte, MG):
Caro amigo Nilto, uma pena essa sua "despedida". Seu trabalho é imprescindível à boa literatura. Quem não gosta de críticas não deve se expor, e escrever é uma forma de se expor. Portanto, peço que reveja esse seu posicionamento. Grande abraço! Ádlei

De Liana Aragão Scalia (Brasília):
Você é phoda demais. Sou sua eterna fã. Não vou ficar de mal nunca! Kkkkkn. Agora, não são só conterrâneos que se sentem intocáveis. Tem cada pulha por aí... aff, cansei deles. Há tempos. Mas, se me permite o conselho (kkk), não deixe de criticar. Liana

De Belvedere Bruno (Niterói, RJ):
Uai, caso de vaidade? Eu estou decepcionada com a vaidade que ando observando no meio cultural. Quando te vejo assim tão talentoso e generoso, sinto vontade de não parar. Os outros me dão vontade de sumir! O que falta a esse povo é humildade. Se todos conseguissem entender o quanto é preciosa uma crítica vinda de um autor como você! Lembra que te sugeri abrir uma oficina, cobrando? Pois é, amigo. Dizem que as pessoas não dão valor ao que é feito gratuitamente. No caso, não sou pessoa. Virei bicho, com certeza. Nilto, vc é um ser em extinção. Talentoso, generoso, moderno e muito jovem. O que é isso de se achar velho? Haja Deus! E pudesse eu dizer aos seus detratores o que está entalado aqui... rsssssssssss. Belvedere

De Ronaldo Cagiano (São Paulo, SP):
Nilto, que não nos ouçam os medíocres (esses poetastros, esses autores que se apresentam porque tem uma carteirinha de academia ou filiação a algum sindicato e não pela obra), mas o que mais há nesse meio é incompreensão. Geralmente, isso parte de escritor sem obra, de autor sem talento, cuja produção não tem o menor peso estético, porque escritor bom, seguro de seu ofício, não mendiga espaço, são choraminga por resenhas, não sai de pires na mão implorando, de forma humilhante, opiniões homologatórias ou discursos palavrosos e vazios para orelhas e prefácios.
O que berra, coloca a boca no trombone, geralmente é aquele escritor inseguro, que quer ganhar no grito e não pelo eco de sua obra. Claro, há injustiças na mídia, que essa é muitas vezes hegemônica e monopolista, mas os que fazem um trabalho sério, quase quixotesco – como você – de garimpar o melhor da poesia e da ficção para dar vez e voz em seu blog, paga o preço, sofre os diabos, porque vem a legião de subliteratos, escritores de ocasião, poetas de algibeira, extorquir, como a fórceps, a cria de uma crítica.
Sei como é, resenhei muitos livros na pequena, média e grande imprensa; organizei 3 antologias e muitas vezes fui parado nas ruas com cobranças, com a faca no peito (“Por que você não me incluiu?”, “Você não gosta do que eu escrevo”?, “Fulano entrou e eu não”, “Sicrano está lá e eu fiquei de fora”). Essas pessoas nos obrigam a ser tão implacáveis quanto eles e dizer que não as incluímos porque o trabalho é uma merda. Mas a gente se desvia, diz que não havia espaço para todo mundo, que numa próxima será incluído... etc. De qualquer modo, não tem escapatória, saímos da cruz para cair no caldeirão fervente.
O que chega a corar a um monge de pedra é a falta de desconfiômetro de certos autores, que nos colocam contra a parede. Ora, uma resenha deve ser produto da espontaneidade do leitor e crítico e não fruto de encomenda. Eu só escrevo sobe livros de que gosto, porque não perco tempo com livro ruim, porque esse já está condenado pela raiz, não vale a pena chutar cachorro morto. Autor que sabe de sua arte tem vergonha na cara e não pede nunca. Nem reivindica ou reclama espaço que não teve nem toma satisfação porque no passado remoto ou recente foi preterido.
Há pouco tempo um escritor sem noção de suas limitações, pediu-me que lesse uns contos. Li, reli, fiz observações, apontei deficiências, na tentativa de auxiliá-lo no aprimoramento de sua lavratura. Era um amigo antigo, mas não leu quase nada na vida e arvorou-se escritor de uma hora para outra. Resultado: tornou-se meu desafeto. E olha que esses senões eu só apontei para ele, não escrevi, não dei ciência pública. Mas ele ofendeu-se, achou-se intocável como Rosa ou Machado, não teve humildade para aceitar minhas sugestões e toques.
Estou contigo e não abro. O melhor é seguir em frente, pois como diz um adágio popular, “Os cães ladram e a caravana passa.” Estou contigo e não abro, “se ficar o bicho come, se correr o bicho pega”. Abraços. Ronaldo Cagiano

De Dimas Macedo (Fortaleza, CE):
Nilto, você fez muito bem. Esse negócio de ser crítico é uma grande merda. Os escritores são seres doentes demais. Mande essa turma toda para o inferno. Você é um escritor genial. E os escritores menores não suportam você. Esse é o grande drama que ronda a convivência literária.

De Ruy Câmara (Fortaleza, CE):
Prezado Nilto Maciel: Você é um dos poucos escritores conscientes do ofício que enveredou pelo caminho espinhento e muitas vezes incompreendido da crítica literária. Preocupa-me a sua decisão de abandonar a tarefa de examinar com imparcialidade e lentes possantes as Obras, obrinha e entulhos literários que vão publicando aos montes por aí. Ora, o trabalho crítico é demasiado necessário, principalmente numa província atulhada de pretensos escritores e poetas ocasionais, pois há muita coisa por aí que não tem validade alguma e muito menos significação para as letras ou Cultura. Penso, sinceramente, que não se constrói uma inteligência literária nacional sem o contributo da crítica. Por isso é importante um posicionamento crítico coerente frente a tantos vedetismos de salões e mesas de bares. É importante a crítica consciente porque o senso crítico comum, influenciado pela condição social ou pelo entorno do autor, nem sempre consegue distinguir a singularidade de uma Obra e acaba confundindo uma composição metafórica de raro valor com algo sem nexo ou destituído de conteúdos. Respeito a sua decisão de se manter silente diante de tantos aplausos e barulhos provocados por quem não sabe sequer do seu papel no contexto intelectual da província e isso me fez lembrar um fato semelhante, ocorrido há 10 ou 15 anos, envolvendo o crítico Wilson Martins. Ela andava tão desiludido com o ofício crítico ou mais provavelmente, estava tão afetado pela angústia antológica do Ser, que escreveu no seu pequeno e primoroso livro “Mallarmé e os Dicionários”: a crítica, sempre disposta a destruir ou superestimar o valor daquilo que não compreende, em geral diz mais do que o próprio autor pretendia. Wilson Martins já se foi, mas deixou um legado de exemplos que jamais será ignorado ou preterido pelos autores, leitores e por seus sucessores. Um forte abraço. Ruy Câmara

A todos, meu muito obrigado.

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