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sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Nilto Maciel (Franklin Jorge)



Não sei o que mais aprecio em Nilto Maciel, se o cronista se o divulgador cultural, embora ele seja também um crítico, um entrevistador, um ficcionista, enfim, um inconformista e um criador incontentável. Autor de um texto magnético, de um humor refinado e perpassado de nonsense. Uma presença ativa na cultura contemporânea, desde a sua querência, o Ceará, após viver anos em Brasília.

Surgiu nos anos 70 sob a égide de um quixotesco amor à literatura. E logo se comunicou com o Brasil inteiro através de um projeto que em vez do artefato livresco usava um saco de papel pardo como receptáculo da produção cultural de uma geração que vivia ainda sob a ditadura militar. “O Saco” – por muito tempo possui em meus arquivos uma ou duas edições dessa publicação que há uns quarenta anos transportava o pão daquelas jovens almas, sequiosas de perdição.

Fico com o fino cronista e com esse que se apresenta, sem descanso, como um desses anjos tutelares da literatura que, como Nilto, existem para semear o bom e o belo dos escolásticos. Como cronista faz-se objeto da própria galhofa, denuncia seus temores e fragilidades, ao reportar-se a um fato que tenha especialmente despertado a sua atenção. Há pouco, aborrecido com a repercussão de uma crítica que escrevera sobre o livro de um amigo, fez declaração pública de que abandonava o gênero, pois não seria fácil contentar essa maldita raça de escritores. E, como agitador cultural, como propagador do trabalho alheio, o empolgado da literatura, Nilto aproximou o Brasil e o pôs n´O Saco. E o fez, creio, sem lucro ou proveito próprio, por idealismo e amor à literatura. Nos últimos anos, elegeu a web como veiculo e nela mantém blogues que difundem as ações e produtos desse dicionário de expressões que enriquecem sua fortuna literária.

Por toda a vida, ficou fiel a essa prática de reconhecer e proclamar o talento em uma série de publicações, como a revista “Literatura”, que editou e manteve durante anos, sempre abrindo espaço para uma produção literária antes segregada em distantes ilhas culturais. Nilto Maciel é um democratizador da cultura e um abnegado que se compraz em ter confrades excelentes.

(Publicado originalmente no site O Santo Ofício, em 21/8/20102)
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