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sábado, 29 de setembro de 2012

Pensamentos (João Soares Neto)



                        (Airton Monte em entrevista a Ricardo Guilherme, TVC, Fortaleza)

Tempos há em que nos quedamos, a querer saber razões. Passamos em revista a família nuclear, os pais, os irmãos, os amigos, os colegas e os companheiros de trabalho. E a quais conclusões chegamos? Por que essa luta absurda que travamos se sempre aflora a quase incomunicabilidade entre os que se querem e lutam pelos mesmos princípios? Sei não. Logo, a Catrina ou o Ceifador atinge a amigos.

            Em menos de um mês perdi dois amigos. O primeiro, Ananias Josino Lobo. Fora colega de faculdade, então sonhos comuns e assim permanecemos em contato, em seguidos e distintos trabalhos que fazíamos com responsabilidade e esperança. Conversávamos ao vivo e nos comunicávamos pelo computador, este bene/malefício que juntafasta pessoas. Era quase o meu oposto: tranquilo, organizado, metódico, lado a lado com Creuza, sua escudeira por 49 anos, com quem viajava mundo afora de forma silente. Mesmo assim, nos entrelaçamos como fraternos e nos acolhemos juntos por meio século. Ainda dói.

O segundo, Airton Monte, era um introvertido disfarçado que se aproveitou do parentesco para casar com a prima Sônia. Juntos trouxeram ao mundo os guapos Bárbara e Pablo. Conhecia meio mundo, ria cofiando os bigodes, mas seu olhar desconfiado e míope só parava em alguns escolhidos. Curioso, inteligente, lido e capaz, fez-se médico e preparou-se, com paciência de frade, para ouvir os desafortunados mentais, os que confundem ou sugerem embaraçar o imaginado e o real. Trabalhava em hospitais/sanatórios públicos enquanto pitava o cigarro, revirava os olhos e pensava na cerveja nos bares do entorno do seu morar. Agora, neste instante, estou triste por eles na incerteza da fé, pelos questionamentos sem resposta e pela boba incomunicabilidade que se disfarça nas relações sociais
Não concordo com T. S. Elliot, a vida é mais que nascimento, cópula e morte. Vida é estrada a fazer.

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