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terça-feira, 16 de outubro de 2012

Um objeto inatingível (Assis Coelho)





Há pouco tempo estava ali naquele espaço exíguo. Ainda lhe era estranho tudo que lhe rodeava. No olhar um misto de espanto ou admiração. Estava situado em um local pequeno, mas não parecia se inquietar com os tamanhos e as formas. Agora uma preocupação se fazia notar facilmente em seu pequeno rosto. Tentava cuidadosamente apanhar aquele objeto que relutava parar em suas mãos. Não havia ainda domesticado o manuseio.  As coisas lhe eram fugidias e, quando conseguia apanhar algo, se detinha por longos momentos na contemplação desse, buscando talvez algum significado para a existência de tal  objeto. Parecia temer cair. Nas tentativas cuidadosas e receosas para apanhar o objeto tão desejado, sempre acabava caindo em giros de rotas indecifráveis. Não se ouvia nenhum lamento sobre as coisas a ele oferecidas. Parecia, sabiamente, se conformar com o pouco que lhe era ofertado. Ainda não foi atingido pelo desejo irrefreável das coisas propagadas pela sua companheira de sala: a televisão. Só algumas cores mais intensas e alguns sons parecem tirá-lo de seus questionamentos mudos. De certo tempo pra cá, já está desenvolvendo uma linguagem recheada de pequenos grunhidos e gritos indecifráveis que para ele deve ter um significado muito além da nossa vã tentativa de decifração que, certamente, sempre traduzimos canhestramente. O objeto desejado, agora distanciado por mais uma tentativa, se colocou longe do alcance das mãos, até parecia um pequeno ser fugindo de seu incansável e inexperiente predador.
         Em outros momentos, já se vê que cedo se inicia nos tombamentos e levantamentos. Espero que saiba sempre se levantar dos tombos nos percursos em sua jornada, já se vê que já se iniciou em treinamento constante.
           Agora, depois de frustradas tentativas, agarrou a chupeta e a colocou na boca e tombou para o lado e adormeceu. No pequeno rosto do Yan um ar de satisfação por ter conseguido alcançar tão desejado objeto.

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