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terça-feira, 27 de novembro de 2012

Despojos (Nilto Maciel)




O que, por distração, transtorno, medo,
engano ou por qualquer outro motivo,
nos faz jogar ao lixo joias d’ouro,
moedas de valor, a nossa honra
e até a própria vida que nos deram,
não pode ser uma lixeira exposta
aos olhos passageiros na calçada.

O que nos faz assim agir, sem pejo,
é a possibilidade de lançar
(podem chamar de livre arbítrio, sim)
ao léu, ou não, aquilo que ganhamos
no decorrer do tempo oferecido,
e, passo a passo, edificamos, certos
do caminhar no rumo do infinito.

E por que fora as joias atiramos?
Porque os nossos braços, nossos dedos
se encheram todos de desilusão.
Por que arrojamos ao imundo cesto
o acumulado ouro no baú?
Porque ladrões nos rondam desde cedo.
Por que nos libertamos das moedas?
Por não haver na praça o que comprar.
Por que perdemos a tão cara honra?
Porque noss’alma para o charco voa.
E então por que largamos esta vida?
Porque se esfuma em finas labaredas,
as mesmas que devoram fogo e lixo.

Fortaleza, 16 de novembro de 2012.
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