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terça-feira, 6 de novembro de 2012

Osamu Dazai (Franklin Jorge)




Autor prolífico, Osamu Dazai (1909-1948) estreou aos 27 anos com um livro de contos, “Os Últimos Anos da Vida” que abre significativamente com uma frase que resume todo o seu spleen: “Queria despedir-me da vida”.


Nascido no Norte do Japão, filho de um grande proprietário rural, nunca superou o desgosto de pertencer a uma classe socialmente privilegiada, o que o fez se ligar afetivamente aos excluídos. Sua vida, comparável a um lento e dissimulado suicídio, transcorreu em meio à boemia intelectual e niilista de Tóquio que experimentaria na própria alma, como os demais contemporâneos o infortúnio da guerra que culminaria com a derrota do Japão e a humilhação do Imperador, simbolicamente o Filho do Sol Nascente.

Atraído pelo abismo existencial, povoou sua obra de gente humilde e fraca que vive à beira da morte em resignado silencio, à semelhança da folha de abacá que apodrece sem cair do galho.

O fato de viver e de estar vivo, num mundo que cheira a sangue, parecia-lhe extremamente feio e abjeto; por isso, pode dizer pela boca de Naoji, o jovem escritor que se suicida em “Pôr do Sol”, que no mundo atual o que há de mais belo são as suas vítimas.

Duplo do próprio autor, Naoji comete suicídio ainda muito jovem. Marguerite Yourcernar, que se deteve sobre o suicídio e o classificou, diria que Naoji foi vítima da melancolia, mas também da nostalgia do paraíso perdido e como resultado da fadiga de quem, por exacerbação da sensibilidade requintada pela cultura, terá ido longe demais, sem perspectiva ou esperança de retorno; semelhante ao suicídio do próprio Osamu Dazai. Suicídios de homens muito jovens aos quais, por excesso de vida, faltariam as palavras para ir além das palavras.

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