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sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Quando madrugar, me acorde... (Abel Sidney)




Juninho, com seus seis anos completos de menino inquieto e questionador, não gostava que o pai mexesse com galos de briga.  

Preferia acompanhá-lo, mesmo noite adentro, ressuscitando motores enguiçados. O nome de cada peça, que ele exigia que o pai pronunciasse enquanto consertava, o fascinava – biela, mancal, virabrequim, bronzina, pistão...  

        Mas o pai insistia em criar seus galos e, vez ou outra, sumia carregando os seus “esporões de prata” para as rinhas de Vazante ou das cidades vizinhas.  

O menino vinha buscando, há tempos, um jeito de manter o pai distante do mundo das rinhas.  

Um dia, ele achou um motor velho, num terreno baldio e procurou o dono. Nada de dono! Chegara, portanto, a ocasião. Convenceu, então, seu tio Adi a levar o motor até o fundo de sua casa. Juntou mais uma dúzia de peças, do mesmo motor e imaginou o quanto surpreenderia o pai.  

No dia em que este lhe pediu que o acordasse para viajar a Coromandel (e ele sabia o motivo), achou o menino de lhe fazer a surpresa.  

Deixou-o dormir até mais tarde... Quando o pai acordou, assustado com a hora perdida, ele o arrastou até o fundo do quintal. Levantou a cobertura – um encerado velho, do caminhão do tio Adi – e lhe fez a proposta: “Olha aí, pai, agora quero ver você botar este bicho para saltar e dar esporadas até funcionar!”


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Abel Sidney - educador / escritor
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