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sábado, 30 de junho de 2012

Espelho (Teresinka Pereira)




Hoje meu zelo
uma vez mais
destruiu a morte
precisamente
quando sussurrava
uns fragmentos
sobre o destino.

Voltei-lhe
o olhar errante
e despedacei
seu véu rutilante
deixando-a nua
diante do espelho.

/////

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Uns aforismos (Hilton Valeriano)


27
No sexo, o amor partilha apenas a desesperança de um ato incólume.

29
No amor pagamos tributo de nossos defeitos assim como de nossos melhores intentos.

37
No sexo, o pudor é o estigma pelo qual o espírito ainda faz-se pulsar.

42
A insuficiência do homem advém do fato de que ele morre e de que nada pode ser feito ou remediado por aqueles que permanecem vivos.

43
Na morte tudo nos remete à vida.

44
Não raro, na iminência da morte consentimos em viver.

45
Se a morte possui uma dimensão trágica, essa reside no encerramento definitivo de todos os fatos, pois a vida não tolera dimensões definitivas.

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A indesejada das gentes (Enéas Athanázio)

(Jair Francisco Hamms)

Mal se embalava o janeiro deste novo ano e já a Indesejada das Gentes, como diria o poeta, anunciou sua implacável presença. Logo pela manhã do dia 11, corria a triste notícia: falecera em Florianópolis o escritor e acadêmico Jair Francisco Hamms (1935/2012). Amável e simpático, aliou tais qualidades ao reconhecido talento para o conto e a crônica, registrando como raros outros o modo de ser dos ilhéus em seus leves e humorados textos. Numa enquête realizada por um jornal eu o apontei como um dos maiores cronistas daquela época, posição que não perdeu com o passar dos anos, mesmo tendo surgido tantos outros escritores. Nos jantares com escritores que promovíamos na época em que residi em Blumenau, ele foi um dos convidados mais destacados. Além de bem escrever, foi hábil narrador de casos envolvendo a gente de Florianópolis, da qual foi atento observador.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Poemas árabes (Mariel Reis)



I

Para Aurea

Embora o trabalho e os dias
Encham meu espírito de tédio,
E o cansaço de toda a justiça
Perturbe aos meus ouvidos
Com o apelo inútil
De uma tormenta...


Os escritores e a crítica – 6 (Franklin Jorge)


(Honoré de Balzac)

Escrevendo em 1838 o que seria o cume de sua já célebre Comédia Humana, Balzac insere em “Esplendores e Misérias das Cortesãs”, ao falar das mulheres que se vendem, um curto e exato debuxo do que seria um crítico em ação naquele momento vivido na França, no efervescente período entre a República e a Restauração. Entorpecido na labuta, para quem tudo são palavras, palavras, palavras, o crítico é caracterizado, em síntese, por uma profunda despreocupação para com as fórmulas da arte.

quarta-feira, 27 de junho de 2012

A fortuna crítica de Nilto Maciel (João Carlos Taveira*)



Recentemente, ao reunir o material crítico sobre a ficção e a poesia de Nilto Maciel, surgiu de chofre uma dificuldade: qual o critério a ser adotado para apresentar os artigos, resenhas e ensaios publicados sobre a obra do autor de A rosa gótica?

No primeiro momento, optou-se pela importância dos nomes dos articulistas, mas isso foi logo rejeitado pelo despropósito da ideia. Em seguida, veio à baila a compilação do volume por ordem alfabética dos textos, solução que pareceu também meio estapafúrdia; portanto, logo descartada. Que fazer, então?

terça-feira, 26 de junho de 2012

Quadras (Silmar Bohrer)



Os joões-de-barro amanheceram
na mais pura alacridade,
cantando sem a vaidade
daqueles que se excederam.


Manhãzinha mormacenta
pelas veredas do mar,
nenhum vento a embalar
minha prancheta sedenta.


As ditas nuvens esparsas
andam mesmo esparramadas,
silenciosas, frágeis garças,
quais viventes desalmadas.

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Estilo de vida na poesia (Tânia Du Bois)


Desenho de Karmo (http://www.karmo.com.br/)

“Ser diferente é bom, ser indiferente é que não é”. Fazer diferença é conceber um estilo de vida na poesia. O poeta é um dos eixos norteadores da literatura. Vale lembrar o escritor Ernani Rosas, do início do século passado, que deixou a marca da sua diferença na poesia: “Vida é volúpia, tântalo e agonia! / desgraças mil, letras vencidas, um homem / que perdeu a razão por ironia / da sorte, que os mil nada nos consome”.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

O conto na terra de José de Alencar e padre Cícero (Nilto Maciel)

(Escritor José de Alencar)

Este título pode parecer esdrúxulo, para leitores mais críticos. Por que Alencar, romancista por excelência? Por que não Rachel de Queiroz ou Moreira Campos; ela por se devotar também a composições ficcionais breves, além da crônica e do romance, e ele pela elaboração de dezenas ou centenas de narrativas curtas? É que o pai de Iracema é, ainda, o nome cearense mais conhecido no Brasil literário. Já o padim só entra (de gaiato) no título e no final.

sábado, 23 de junho de 2012

Alegorias da Maldição: a escrita fantástica de José Alcides Pinto e o Ceará (1960-80)



Homenagear é uma forma de perpetuar. Nesse caso, a obra do mestre cearense José Alcides Pinto (01/09/1923 a 02/06/2008), um dos nossos mais expressivos e criativos escritores, dono não apenas de criação peculiar como de uma maneira pessoal que só ele tinha na relação com amigos, colegas de ofício e pessoas em geral. Chega em boa hora esse trabalho do jovem professor da UERN Francisco Francijési Firmino. Aqui repassamos o convite como forma de reforçá-lo para que o máximo de pessoas, pesquisadoras ou simplesmente leitoras, possam saber sobre o assunto e obter, no mínimo, um exemplar. Sobre José Alcides Pinto, acesse aqui. E leiam aqui entrevista de Francisco Francijési Firmino no jornal O Povo.
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O ídolo caído (Guido Bilharinho)

Convencionalismo Britânico
(Cena de O ídolo caído)

No filme O Ídolo Caído (The Fallen Idol, Grã-Bretanha,1948), de Carol Reed (1906-1976), com roteiro do escritor Graham Greene, reúnem-se dois dos mais conhecidos e destacados ficcionistas britânicos (em cinema e romance) das décadas de 1940 a 1960.



sexta-feira, 22 de junho de 2012

As gerações literárias do Ceará (Jarbas Junior)



(Casa de Juvenal Galeno, pátio interno, em Fortaleza, Ceará)

Tudo começou na década de 70, com o Clube dos Poetas Cearenses na Casa Juvenal Galeno, perto do teatro José de Alencar; éramos 25 promissoras vocações literárias, todos com alguma poesia na gaveta. Márcio Catunda, em 75 era o presidente da instituição. Havia o Carneiro Portela, Mário Gomes, Dimas Macedo, Natalício Barroso, Nilto Maciel, Barros Pinho, o sonetista Júlio Ribeiro, Batista de Lima; lembrar nomes, às vezes, é cruel; recordo agora um título de livro admirável – Roteiro dos pássaros – e a memória falha, em declinar o autor. Época formidável; nossas reuniões ocorriam sábado à noite, depois, íamos a Emcetur tomar uns tragos e paquerar musas de sorriso fácil.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Carrapicho (Luiz Martins da Silva)

 (Antoine Watteau, Os prazeres do amor)

Guardei-a, afeito ao rijo e rude velcro,
Às melhores imagens de um bom tempo;
Ainda lá, no mesmo nicho, bem estreito,
Cingindo-nos em único e presto arbusto.

Lábios mais são garras, unhas de agregar vinhas;
Andorinhas, notas, pingos, chuviscos, melodias...
Mais ainda são os olhos, claves da memória;
Justo o não-sólido é o que mais se faz lua cheia.

Exatamente, por não se ferirem de matéria,
São majestosas geometrias, invisíveis catedrais,
Tapetes do sem fim pelos mármores da ternura.

Sou, hoje, ávido grude, minha parte temerária;
De buscar a ti e a tua parte, nem sempre sôfrega,
De viver como eu, o que é de nós e o quanto antes.

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Inverno (Ronaldo Monte)




As moças do tempo informam que o inverno começou na terça-feira, 21 de junho, exatamente às 14 horas e 16 minutos. E dizem mais: que este mesmo inverno vai nos chatear durante 93 dias, 15 horas e 49 minutos.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Luciano Maia (W. J. Solha)

(Poeta Luciano Maia)


Tenho notado, ante tantos livros que venho recebendo ultimamente – num diálogo com os autores a quem remeti meu Marco do Mundo – que jamais escrevemos a somente um leitor. Daí que há poemas, versos ou estrofes que empolgam mais a sicrano do que a beltrano, enquanto fulano faz um rol diferente de suas preferências, e tudo fica como essas listas dos dez melhores filmes ou livros do ano ou de todos os tempos, em que jamais acontece unanimidade. Pois bem, acabo de receber dois livros do cearense Luciano Maia – “Claroscuro” além de “Mar e Vento”, – e fico com “Claroscuro”. E dos “16 motivos para um poema”, a segunda criação desse volume, deslumbro-me com estes 6:


O século seguinte (Carlos Nóbrega)




Eis o tempo
da profunda busca

em que se busca
o que já está nas mãos.

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terça-feira, 19 de junho de 2012

De finitudes e outras delícias terrenas (Nilto Maciel)


           
Convidado a almoçar, por Mario Sawatani, acordei cedinho, tomei demorado banho, comi duas frutas e o esperei na sala, diante do computador. Reli uns poemas de Fernando Pessoa, outros de Francisco Carvalho e um pouquinho de Dércio Braúna. Buzinou desesperadamente e ainda gritou meu nome cinco ou seis vezes, para espanto dos gatos sonolentos e das vizinhas que varriam as calçadas.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Dileto (Inocêncio de Melo Filho)


(Poeta Francisco Carvalho)


Não conheci Drummond
Mas conheço Francisco Carvalho
Minha alma se completa
Com o saber deste poeta


Não conheci Drummond
Mas conheço Francisco Carvalho
Sacrário das memórias
Da poesia universal


Não conheci Drummond
Mas conheço Francisco Carvalho
Anjo erótico
Desvelador do sexo potável


Não conheci Drummond
Mas conheço Francisco Carvalho
Quem o conhece
De outro poeta não carece.

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Horizonte (Tânia Du Bois)




O mês de maio é ótimo para refletirmos sobre a relação com as nossas mães. Falar das mães é mergulhar e passear num mundo onde as imagens e as histórias nos inspiram e surpreendem, pela personalidade e estilo de liderança que elas apresentam: tocam suas vidas, o cotidiano e ainda cuidam das famílias. Nas palavras de Ronaldo Monte; “...um azul luminoso, um vento generoso e um espelho de mar ávido de horizontes... Mas, nossos passos andam alheios a qualquer destino...”

domingo, 17 de junho de 2012

Os escritores e a crítica - 5 (Franklin Jorge)

(Câmara Cascudo)

Quando moço, embriagado de literatura e indiscutível “príncipe do Tirol”, Luis da Câmara Cascudo exercitou a crítica literária, enfocando a produção de autores norte-rio-grandenses reunida em “Alma Patrícia” [Atelier Tipográfico M.Victorino, Natal, 1921], reeditado 77 anos depois pela Fundação José Augusto, IV volume da Coleção Biblioteca Potiguar, numa edição chinfrim que se desmancha nas mãos do leitor ao ser folheada...

sábado, 16 de junho de 2012

Invasão alienígena



Aqui, um e-book repleto de surpresas sobre o tema, com um seleto grupo de autores:

- Ademir Pascale
- Arionauro da Silva Santos
- Claudio Parreira
- Flávia Muniz
- Francisco Juska Filho
- Gerson Lodi-Ribeiro
- Gian Danton
- Luiz Bras
- Marcelo Bighetti
- Renato A. Azevedo
- Roberto de Sousa Causo


É só clicar no link abaixo e curtir:
http://www.divulgalivros.org/invasao_alienigena.pdf
http://claudioparreira.blogspot.com/
http://canetaalheia.blogspot.com/
http://twitter.com/#!/ClaudioParreira

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sexta-feira, 15 de junho de 2012

Açude Velho (Ranieri Basílio*)



Açude Velho, velho que nas plagas
Ondulantes emerge como um sonho.
Evocas minha infância, nela ponho
Todo meu ser coberto hoje de mágoas.
Não falo no veludo que me afaga
Os pensamentos todos, os tristonhos
Sentimentos, discretos; não deponho,
E em silêncio me banho nas tuas águas.
Vejo-te assim tristonho, velho açude,
Sem gozar nem um pouco de saúde.
Pelo verde que tem ao teu redor,
Noto o feliz contraste em nossa dor.
Eu, quando a tristeza surge, fujo;
Já tu não, pois poluído sofres sujo.

*

O conto na terra do conto (Pedro Salgueiro)


(Pedro Salgueiro, Carmélia Aragão, Nilto Maciel, Aíla Sampaio e Raymundo Netto)

O conto é o gênero literário mais cultuado no Ceará (alguém já afirmou que temos mais contadores de histórias que bodegueiros). Rara foi a geração que não nos deu pelo menos meia dúzia de bons contistas. Mas raros são os excepcionais, visto que o gênero é difícil, escorregadio, enganoso, muitos acham que basta contar uma anedota interessante, alinhavar bem um caso curioso, para obter êxito.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Mãe mulher mãe (Clodomir Monteiro)

Ela foi um dia
De quem foi um dia
Que foi um dia


Pensa todo dia
O quem foi um dia
Daquele que foi dela um dia


quarta-feira, 13 de junho de 2012

As moscas em minha mesa são as mesmas que engordam na pele decadente de velhas relíquias de guerra (Dércio Braúna*)




O dia avança sobre os túmulos
onde os mortos germinam;

avança
sobre velhos pensionistas de guerra
           guardados
           em seus jardins
sentados
à claridade
                    folheando páginas de Baudelaire
                                                               ou Rilke.

O dia abraça essas coisas
                     que morrerão
enquanto
nos museus,
intactas,
fraturas de tempo expostas
                   (os velhos pensionistas de guerra ―
                                      heróis
                                      ora cobertos de moscas―
                  dentro delas, eternos, em papel e tinta)
adestram os vivos
com seus belos fósseis.

O dia avança
enquanto sobre minha mesa
marcha um exército
de moscas
                  (as mesmas que engordam
                  na pele decadente
                  das velhas relíquias de guerra)
enquanto escrevo
uma epopéia ―

                          sobre uma (feliz) humanidade
                          de cães.



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*Dércio Braúna é historiador, poeta e contista, autor de O pensador do jardim dos ossos(Expressão Gráfica e Editora, 2005), A Selvagem Língua do Coração das Coisas (Realce, 2005), Metal sem Húmus (7 Letras, 2008), Uma Nação entre dois mundos: questões pós-coloniais moçambicanas na obra de Mia Couto (Scripta Editorial, 2008), Como um cão que sonha a noite só (7 Letras, 2010). Contato: derciobrauna@bol.com.br.

- Outros poemas de Dércio Braúna você encontra aqui e aqui.

- Acesse: https://www.facebook.com/pagekayaliteraria
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A garçonete (Mariel Reis)




Movimentava-se através da fumaça
A bebida fazia-me crer em uma aparição,
Os colares e as pulseiras brilhavam
E a intensidade do que eu via
Encontrava um caminho direto ao meu coração

Poeta Dimas Macedo! (Jarbas Junior)



(Dimas Macedo)

O talento nunca desiste, essência da alma; aproxima a distância de todas as coisas na grande síntese da poesia. Arte e engenho e leitura faz o poeta dançar sobre as águas, pleno de fé e confiança porque penetra fácil nos mistérios de Elêusis, e conversa com as vozes do silêncio, nesta capacidade de ouvir o iniludível.

terça-feira, 12 de junho de 2012

A última culpa (Daniel Mazza)



(Gravura de Gustave Doré)

Ainda é a primeira e multiplicou-se,
Ainda é a primeira, nascida do ovo-útero primevo, e multiplicou-se,
Ainda põe a mesma mão pesada sobre os ombros,
Ainda reclama e cobra e exige e nunca está satisfeita,
Ainda quer a pomba branca para engoli-la por inteiro,
Ainda ora uma prece ensalivada aos leões de Daniel, mas não a Daniel,
Ainda come o pão, bebe o vinho, e depois cospe na mesa,
Ainda beija a face e depois sorri mostrando os dentes de prata,
Ainda diz sim sob o sol e não sob a lua,
Ainda lava as mãos em sangue e assegura que estão limpas,
Ainda lança apupos quando sabe que não deveria,
Ainda espera o que já veio, e já se foi,
Ainda faz do homem achas para um fogo sujo onde se afogam as almas,
Ainda se justifica e argumenta, mas suas palavras são de gás cianídrico,
Ainda lança bombas incendiárias e venenos voláteis sobre gentes,
Ainda ajuda a tratar as feridas e sepultar os corpos, mas é demagoga,
Ainda finge procurar a cura, mas produz a doença em série,
Ainda transforma mentiras em verdades porque grita com imagens,
Ainda abraça a Deus e lhe fala ao ouvido, mas pelas costas sorri ao Príncipe,
Ainda reitera várias vezes que é inocente... Mas não somos inocentes.
Ainda ergue uma forca em cada árvore.
Ainda derruba cruzes, uma a uma, em cada gólgota.




(In: A CRUZ E A FORCA, 2007. Daniel Mazza).

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Pequena nota sobre Amor da Minha Vida (João Carlos Taveira*)


Ao concluir a leitura deste livro epistolar, meu pensamento voou em direção à vida de alguns amantes célebres que também manifestaram o seu amor por meio de cartas. Uns foram bem-sucedidos; outros, nem tanto.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Seis momentos de prazer (Nilto Maciel)



Tive intenção de resenhar cada publicação recebida e lida neste primeiro semestre de 2012 (como tenho dito, não compro mais livros, por absoluta falta de tempo: passo oito horas por dia, em média, a ler os que me mandam, além de poemas, contos, crônicas, artigos, ensaios enviados por correio eletrônico). Não pude, entretanto, seguir à risca o meu intento, pois também não tenho mais tempo para escrever (um rascunho para tragédia em janeiro; uns apontamentos para alegoria em julho; um artigo aqui, outro ali). Sendo assim, hoje tirei um tempinho para dar notícia de seis volumes chegados recentemente. Que me desculpem os cavalheiros Pedro Du Bois, Claudio Parreira, Franklin Jorge e Jorge Pieiro, sempre amigos; e as damas Cissa de Oliveira e Hilda Mendonça, eternamente amadas. Sou-lhes muito grato pelas horas de prazer proporcionadas por seus escritos.



domingo, 10 de junho de 2012

A qual triunfo? (Teresinka Pereira)



A qual triunfo
a fogueira do espaço
me conduz?
Aqui estou queimando-me
em ânsias,
oxidando meus desejos
sem assustar ninguém,
com medo de que riam
desta pela clara
como açúcar sem doce.
Minhas palavras
se reduzem ao abismo do tempo,
não vejo sequer o horizonte:
sou espectadora do nada!

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sábado, 9 de junho de 2012

Poema (Silmar Bohrer)


Hasteou cedo sua bandeira
o bem-te-vi cantador,
entoando com todo ardor
a sinfonia domingueira.


sexta-feira, 8 de junho de 2012

Uns aforismos (Hilton Valeriano)


5
Para todas as formas de amor há sempre uma maneira de se compartilhar a solidão.

13
As ocasiões para o amor são sempre repentinas. O que explica a inconstância dos relacionamentos.

15
No amor raramente perdoamos o sentimento de vingança.

A hora e a vez dos pretensiosos (Jarbas Junior)



Nilto Maciel, um ensaio crítico de mestre, de cabra macho
Cearense de fato que me fez lembrar a voz sincera e fiel
De Alencar contra as mediocridades, sem engenho e arte,
Do tempo do Império, principalmente, Castilho, capacho
Mor do poetastro Dom Pedro II. Mas, “O tempo e o vento”
Nos trouxe a impetuosa indignação justa e sábia de Ariel...

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Coisas Engraçadas de Não se Rir XVII: Uma Crônica Excitante (Raymundo Netto)



Na época já era de se ouvir na voz de Raulzito: mesmo usando 10% de minha cabeça animal, eu sei, o dicionário está mesmo cheio de palavras que eu nunca hei de usar. Da mesma forma, me parece, podemos dizer de um curioso lardo jornalesco atual. Foi passar a vista nas manchetes e... Não é que numa ilha das Filipinas as mulheres ameaçaram greve de sexo, caso seus homens não parassem com as contínuas disputas de terra? A (des) mobilização deu certo! Não me estranha, porém, qual o motivo de tal união feminina: com o bloqueio das estradas pelos homens armados, elas passaram a ter dificuldade de receber os produtos de suas costureiras preferidas. "É mais fácil um camelo passar num buraco de uma agulha..."


quarta-feira, 6 de junho de 2012

O ser humano e o mundo virtual (Emanuel Medeiros Vieira)

Para o amigo Zé MeMe
“Aprendi que um homem só tem o direito de olhar um outro de cima para baixo para ajudá-lo a levantar-se”. (Gabriel Garcia Márquez – que está completando 85 anos)

Um estudo da “Cyberpsychology, Behavior and Social Networking” descobriu que quanto mais tempo as pessoas passam no Facebook, mais elas acham que seus amigos são felizes e, em consequência, se sentem mais tristes. Não é a minha área. O que me interessa é a vida do ser humano nessa nova era digital. Mesmo me considerando um “velho datilógrafo”, creio que o desafio é sabe lidar com um outro mundo – virtual. Aproveitar as suas potencialidades, mas NÃO SE TORNAR ESCRAVO DELE. A internet acelera a comunicação? É claro. Mas aprofunda a mesma? Essa “necessidade” de estar sempre “compartilhado” (virtualmente, não na vida real) pode gerar uma ansiedade tremenda. Digo algo de novo? Não.

Cartas a um jovem escritor (Adelto Gonçalves*)




I

Quem procurar saber quem foi Carlos Magalhães de Azeredo (1872-1963) na história da Literatura Brasileira, dificilmente, haverá de encontrar referências mais aprofundadas. Afrânio Coutinho em Brasil e brasileiros de hoje (Rio de Janeiro, Sul-Americana, 1961) e Raimundo de Menezes em Dicionário Literário Brasileiro (Rio de Janeiro, Livros Técnicos e Científicos, 1978) citam-no e no portal digital da Academia Brasileira de Letras pode-se encontrar uma breve biografia. Foi um dos fundadores da Casa e o acadêmico que mais tempo ocupou sua cadeira: 66 anos.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Tercetos em terceto on the road (com tércio implícito) (Marco Aqueiva & Paulo Ortiz)


Germinam cintilações no rastro das palavras
mas os fios que estendem a conversação
enredam-se também na obscura trama do íntimo


Cartogramas (Luiz Martins da Silva)



Navigare necesse

I
Viagens de Gulliver
Viagens de Polo
Viagens de Verne

II
Sonhar o imposs(u)ível
Ordenhar o tangível
Mapear o inconsútil

III
Cabo da Boa Esperança
Baía da Experiência
Porto da espera e ânsia

IV
Imitar o mundo
Militar o mundo
Ilimitar o mundo

V
Cumpriu-se o horizonte
E o Pangea se desfez
Atlas descansa em paz

/////

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Tércia Montenegro e o estado sólido do tempo (Nilto Maciel)

(Tércia Montenegro)

A leitura de O tempo em estado sólido (São Paulo: Grua, 2012), de Tércia Montenegro, me levou aos seus primeiros livros: O vendedor de Judas (sobre o qual me debrucei por uns dias e escrevi um artigo), Linha férrea e O resto do teu corpo no aquário. Levou-me também aos conceitos de conto, relato, narrativa, história, fábula, alegoria, etc., da ampla família que vem dos tempos das lendas (trechos da Odisseia, da Bíblia, etc). Não quero, porém, me perder em comparações e, muito menos, em conceituações, definições, lucubrações de teórico da literatura, que não o sou. Admito, porém, estar diante de uma escritora talentosa. Seria exagero falar de excepcionalidade. Ou tecer frases de puro elogio, como “prosadora que veio para inovar a ficção”. Nada disso: Tércia, ao contrário de muita gente cheia de títulos na testa, lê, relê, escreve, reescreve, corrige, suprime, modifica o que inventa, incansavelmente. Como qualquer ser humano dedicado às letras, consciente de seu ofício e sabedor de que fama e sucesso são apenas ilusão.


domingo, 3 de junho de 2012

Sala de jantar (Tânia Du Bois)



“Sala de jantar // A mesa diz: sim, mas você tem que se cuidar um pouco mais // ... E há também um bufê cheio / de taças. O que quer que digam, / diz, creio que ficarei satisfeito... ” (Joan Brossa)

Por costume, a casa tem sala de jantar. Espaço a garantir que ela seja ocupada em momentos importantes: o consumo e a reunião ao redor da mesa, onde o ar atravessa a cortina como fruto do encontro. “... Lá fora o vento morno impõe o riso / de quem degusta estrelas: e há licores / na sombra onde comer não é preciso...” (Jorge Tufic).

sábado, 2 de junho de 2012

Terém (Carlos Nóbrega)


O louco toda manhã
senta na minha calçada.
Senta e não pede nada.
Só ri um pouco e se cala.
Nunca o vi comer
nunca o vi beber
deve ser feito de alma.
Depois se levanta e vai
levando tudo o que tem:
suas horas, moscas e nadas.
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sexta-feira, 1 de junho de 2012

Um campo de concentração nos trópicos (Adelto Gonçalves *)





I

Se o Brasil já soube reverenciar os seus grandes escritores, como ao tempo de José de Alencar (1829-1877), Machado de Assis (1839-1908), Olavo Bilac (1865-1918), Graciliano Ramos (1892-1953) e Jorge Amado (1912-2001), hoje não o faz tanto. E não é porque não existam grandes escritores. É por desconhecimento mesmo das novas e velhas gerações que são bombardeadas por literatura norte-americana de baixo nível, que aqui chega em formato de livros de auto-ajuda.