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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

De meu sol nado ao vário ocaso nosso – II (Nilto Maciel)





Publicado o primeiro capítulo do De meu sol nado, recebi diversas mensagens. Todas muito interessantes. Roberto Prym, Jorge Tufic e Gerado Lima não quiseram me deixar preocupado. Outros, porém, me fizeram ficar de orelha em pé. Dimas Macedo me alertou: “Não confie muito nessa gente excessivamente genial. Mas não deixe de tirar o máximo proveito de suas escrituras”. Referia-se a James Joyce e Machado de Assis. Respondi assim: “Tenho lido gênios e medíocres também. A vida não pode ser feita só de alturas. É preciso chafurdar na lama também. Ser porco alguma vez”.

          Menos assustador me pareceu o recado de João Carlos Taveira, por ele posto no meu blog:Já vem você com novidades literárias, de novo! Não decifrei nada (devo ser mesmo muito burro), mas adorei o título desse livro que pretende lançar brevemente. Sim, trata-se de um decassílabo heróico perfeito. Aliás, isso em você já se tornou uma constante, pois não para de criar, de fustigar a imaginação. Vamos esperar pela surpresa, e enquanto isso nos deliciar com seus escritos aqui no blog — ferramenta que Machado de Assis teria utilizado à larga, se existisse no seu tempo, não duvide. Parabéns pelo texto acima e sucesso sempre”. Tranquilo, mandei-lhe isto: “Pois é, tenho cerca de dez livros na gaveta. Ando sempre às voltas com eles. Agora quero desenterrar (a gaveta é como um túmulo) alguns deles e levá-los ao prelo. Por isso, o trabalho de revisão incessante. Não se preocupe com o enigma do meu título (porque já está decifrado). Eu queria esconder de todos (como posso fazer isso, se estou na Internet?) a notícia de que iniciei novo diário literário. Esse era o enigma”.

O livro que pretendo lançar brevemente é Gregotins de desaprendiz. São artigos com mais trinta anos, a partir de 1976. Meus primeiros exercícios de “crítica literária”, se assim posso dizer.

Alberto Bresciani também ajudou a me serenar. Anda de férias, a ler muito, como sempre. Referiu-se a uma pilha de livros, prontos para leitura. Tentei me mostrar nervoso, muito ocupado: Está baixando a pilha de livros? A minha sempre aumenta. Não dou conta de ler o que me mandam. É que escrevo muito, penso muito, invento muito, ando sempre com um ou mais projetos debaixo do braço, não paro de revisar meus escritos. Dedico-me muito (excessivamente) a mim mesmo, e acabo deixando os outros de lado. Chamam-me de egoísta e egocêntrico. É que acho os outros por demais parecidos com caracóis. E me afasto deles. Deixo-os no quintal. Tenho certo nojo deles. Sim, li Eltânia. Os livros de Cassas são belíssimos. Estou escrevendo um romance. Iniciei um diário literário na Internet. Estou revisando um livro de artigos (dá mais trabalho do que escrever). Tenho 53 livros de amigos à minha espreita. Não terei tempo de ler todos. Já li tanto (muito coisa boa, excelente, muita coisa ruim também), que não tenho mais tesão de ler. Acho tudo muito parecido. Aquela coisa do déjà vu”.


(Dino Segre ou Pitigrilli)

Sempre que vejo o sofrimento alheio, me sinto melhor. Será isto sadismo? Maria Lindgren se queixou: “Ando meio down”. Fui rápido: “Andas meio down? Na fossa? Pra baixo? Por quê? Alguma desilusão amorosa? Ou a vida não tem sido amorável? Que andas a fazer? Eu estou sempre muito down, perdido, envelhecido, em casa, só a ler e escrever muito, doidamente. Fui obrigado, por questão de saúde (ou falta de), a parar de beber e fumar. Entrei em depressão. Tentei o suicídio cinco vezes ou mais. Como não consegui bom resultado, resolvi viver. Como naquele conto de Pitigrilli. Conhece? Mande notícias boas. Sou avesso a más notícias”.

Na verdade, não tentei (diretamente) nenhum suicídio, embora meu comportamento seja de suicida: ler e escrever sem parar, beber e fumar (já parei), viver em cidade grande, dirigir carro, comer em restaurante, ver televisão, etc.
(28/janeiro)

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