Pesquisar este blog

sábado, 19 de janeiro de 2013

Momento de definição: colecionar fotos (Tânia Du Bois)







          Chamo momento de definição quando sei para que e por quanto tempo desejo colecionar algo ou alguma coisa. O meu momento de definição ocorreu pelo meu encantamento por fotografias antigas. Olho e sei; olho e decido. Não me arrependo da escolha, adoro! Pedro Du Bois expressa, “O retratista / conserva / o foco / de fotografia / no instante /  do flash // depois o negativo.”

        Fotografias são como relatos de sombra e coragem, que ainda vivem e revelam a fabulosa história da vida. Busco por fotos antigas onde me deparo com provas contundentes para entender o mundo em que as pessoas viveram.

Colecionar fotos antigas acorda os sentidos de tal forma que me sinto passeando no tempo pelas lembranças. O que é visível se torna tátil, de maneira que o tocar a fotografia me aguça os sentidos. E como o toque é próprio, toma dimensão diferente, como se estivesse a tocar as lembranças. Há a sensação nova em olhar com as mãos e reavivar descobertas que só o tempo pode mostrar. Acompanhar os personagens das fotografias torna o momento em único, num dia especial.

Compreender as fotos pelos sentidos é redescobrir a maneira de poder ser e de reviver o momento em que elas me olham e tocam o coração. Como expõe o poeta Artemio Zanon, “Fotografia / da distante infância / me vejo tão útil, / ansiada esperança.”

Em algumas fotografias apenas passo os olhos, como se estivesse olhando pelo vão da porta, onde a luz escapa e temo entrar. Fico imaginando o fato ocorrido e, por vezes, não tenho coragem de reencontrá-lo naquela imagem. Nesse momento, através de flash de memória, conto histórias através dos sentidos e, ao viver as palavras com sabor e toque, me entrego à realidade, assim como descreve Pedro Du Bois, em seu poema,Confisco imagens / em relembranças / descoloridas: onde deixei / o tempo fotografado / em imensidões ampliadas / de saudades.”

As fotos mostram a história ambientada, envolvente, em épocas mais diversas. Elas trazem perguntas e respostas sobre vários aspectos, situações e fatos. Olho, toco e vejo os segredos. Sinto que tais sensações e informações sobre cada uma faz com que eu desfrute ao máximo da coleção.

O momento de definição é escolher a fotografia, depois, juntá-la à coleção, onde se misturam tempos e lembranças, dando significância à minha vida: toco as fotos com os olhos e as olho com os sentidos. Quando a vida depende de segredos guardados em cada flash, torna-se uma aventura tocar a foto, com simplicidade, para colocá-la no álbum, porque vêm à tona fragmentos da sua história, dando voz ou se misturando com a minha história.

/////