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segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

A última cabra (Carlos Nóbrega)





                                             


                                            
                                                                    
Desde quando o sol é mundo
o sertão arde. São 3 h da tarde
E é tarde.
Uma família arrodeada de nada
não espera mais sob o azul sem sombra,
o azul profundo que não chega ao poço:
Nada chega ao poço.

As nuvens se retiram como o milharal se retirou.
Uma cabra se lembra da água
em sua própria boca.
A família a espreita,

e o tempo é comprido
como um dia de fome.

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