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sábado, 6 de abril de 2013

Contos vertiginosos




 “Pequenos, minúsculos, os contos de Roberto Schmitt-Prym, entretanto, revelam um longo conhecimento da vida e da arte. Possuem, em comum, uma visão realista de nosso quotidiano, tão cheio, por vezes, de desencontros – e, por que não, de tragédias íntimas. As personagens, todas sem nome, deambulam por um universo em que a esperança é coisa rara, mas ela sempre surge, aqui e ali, no final de um conto ou no meio de outro. Caberá à sensibilidade do leitor deixar-se conduzir pela mão do autor nessas abreviadas aventuras, sabendo que viajará por autêntica literatura”.
Luiz Antonio de Assis Brasil, Secretário de Estado da Cultura

Roberto Schmitt-Prym nasceu em 1956 em Panambi, RS. Foi selecionado no Prêmio Apesul Revelação Literária 79 e no Prêmio Habitasul Correio do Povo Revelação Literária 81. Estudou com Charles Kiefer e Assis Brasil. Participou das antologias Contos de Oficina 35, brevíssimos! e 101 que contam. Traduziu a obra Giacomo Joyce de James Joyce. Como fotógrafo, realizou sua primeira exposição individual no Museu de Arte do Rio Grande do Sul, em Porto Alegre, em 1990. Desde então fez mais de vinte exposições individuais em museus e em instituições no Brasil e no exterior, exposições coletivas e recebeu uma dezena de prêmios em diversos países. Entre outras atuações, destacam-se os cargos de diretor da Associação Riograndense de Artes Plásticas Chico Lisboa, diretor da Bienal do Mercosul, conselheiro da Orquestra Sinfônica de Porto Alegre e diretor do Museu Julio de Castilhos.

Contos:

Cavalgada

    Sente a brisa no rosto, fecha os olhos e se vê num campo, galopando em vertiginosa correria. O entusiasmo o leva para longe, por paisagens inimagináveis.
    Subitamente o cavalo é detido em sua marcha e ele tem de voltar de sua fantástica viagem que chegara ao fim.
    Ainda não está parado totalmente, mas o menino coloca os pés no chão e corre alvoroçado na direção da mãe. O que ouve são os ruídos do último giro do carrossel.

A velha senhora

    Depois daquela manhã passou a seguir a velha senhora. Andou por ruas cheias de crianças brincando, viu amantes de mãos dadas, passou por velhos andando lentamente pelas ruas da vida.
    Quando a velha senhora entrava por uma porta gasta pelas marcas do tempo, e entrava por outra e mais outra casa, sempre aquelas pintadas de anos, esperava o tempo todo do outro lado da rua.
    A cada morte morria um pouco. E continuou a persegui-la, constantemente.
    Quando chegou a um palmo da velha senhora, deu-se conta de que estava no meio da rua movimentada. Olhou-a nos olhos, já muito cansados, e perguntou:
    — Pode ser agora?
    — Ainda não! — ouviu como resposta.

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Contos Vertiginosos, ROBERTO SCHMITT-PRYM
Editora Bestiário  |  R$ 20,00

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