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quinta-feira, 25 de abril de 2013

O jornalista Mário Vargas Llosa (Franklin Jorge)






Acabo de reler A Linguagem da Paixão (Arx, 2007), reunião de artigos e ensaios jornalísticos publicados por Mário Vargas Llosa em “El País”, Espanha, e noutros veículos afiliados.

Reafirma-se aqui a sua reconhecida e aclamada vocação beligerante e apaixonada uma comunicação instantânea com o leitor, através do magistério mais amplo do jornalismo que é sem dúvida uma das facetas do seu talento infenso à frivolidade e ao superficialismo.

Intelectual em estado puro, empenhado na defesa do que é bom e justo, dedica-se a educar seus leitores na certeza de que as palavras geram ações. Homem de convicção, diz o que pensa e age sem temor, de acordo com a sua crença, sem medir consequências e sem capitular diante do fracasso que pode demorar, mas acaba chegando para todos.

Não me detenho em nenhum ensaio ou artigo em particular, mas na sua contribuição ao jornalismo, elevado por sua cultura humanística e literária a uma espécie de magistratura liberal que contempla há 50 anos a realidade latino-americana e que, por uma disposição inata do seu caráter, defende-nos do obscurantismo, dos preconceitos e do infortúnio de pertencermos ao gênero humano.

Escrevendo sobre Monet e os inconvenientes da democratização da cultura ou sobre o Leste  europeu e a América Latina, cuja história tem em comum a irrupção pontual de ditadores, déspotas e tiranozinhos, revigora Vargas Llosa o jornalismo de opinião e põe em evidência com clareza e lucidez apaixonantes o que disse Sartre das palavras – que são armas e, como tal, devem ser usadas na defesa das melhores opções.

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