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segunda-feira, 15 de abril de 2013

Os gregotins de Nilto (W. J. Solha)



Nilto,

A arte sempre fornece dois grandes momentos para quem a usufrui: aquele em que se lê o romance, vê o quadro, assiste a uma peça ou  filme... e, outro, em que alguém faz desse primeiro momento  uma análise tão acurada quanto bela. Você domina esses dois instantes. É sempre uma delícia ler suas estórias e um gozo ver o que diz das produzidas pelos outros.
Ao ler, agora, seu Gregotins de desaprendiz, uma constante nas suas resenhas me lembrou a frase de uma grande figura pessoense dos anos 60, quando cheguei à Paraíba: o professor de literatura da UFPB Juarez da Gama Batista. "Arte - me disse ele em sua casa - é o momento em que a pedra que atiramos pro alto para... antes de começar a cair". Os textos desse seu livro sempre têm esse momento em que a opinião se cristaliza e faz a sua surpresa. Apresento alguns:
            Pág. 9, sobre Francisco Carvalho: "Não citarei nenhum verso. Seria difícil eleger este ou aquele, tantos são os mais belos".
Pág. 11, sobre Juarez Barroso: "Nenhum gênio conceberá escrito como Doutora Isa, sem ter vivido no sertão. A pesquisa jamais suplantará a vivência para acabamento de joia como essa".
Pág. 24, sobre Nagib Jorge Neto: "'A espada do anjo Gabriel'" faz lembrar aquele povo bíblico, ainda sem "Deus", às vésperas de Cristo, ou antes, de Moisés". 
Pág. 26, sobre José Alcides Pinto: "Aqui, a urdidura do romantismo, ali o funesto de Poe".
Pág. 28, sobre Caio Porfírio Carneiro: "O "sal da terra" dá ao leitor visão clara e até incandescente daquela vida miserável, como se a luminosidade excessiva da salina clareasse a própria imaginação do romancista".
Pág. 30, sobre Adrino Aragão: "é dos poucos salvos do turbulento carnaval literário iniciado nos anos 1970. (...) Adrino continuou suando, não como folião, e sim como laborador de contos. Sem  confete e sem serpentinas".
Pág. 39, sobre Emanuel Medeiros Vieira: "Como repórter, não lapida os verbos, rabisca o papel com linguagem rasteira, pontilhada de gírias. Vez por outra, uma locução formosa, frisada. repetida. Consciente do incômodo causado aos próprios ouvidos, o narrador escreve com ira".
Pág. 41, sobre  Batista de Lima: "O poeta procura a palavra possível, até mesmo trivial, vaidosa dama".
Pág. 45, sobre Enéas Athanázio: "O autor não se repete, embora seu universo ficcional seja miúdo".
Pág. 53, sobre Glauco Rodrigues Corrêa: "Até o mais exigente leitor não deixará de ler o drama com atenção e gula".
Pág. 55, sobre Silveira de Souza: "A visão poética de Jorge de Lima terá sido a mesma de Silveira de Souza, ao inflar de fantástico os seus relatos".
Pág. 61, sobre Miguel Jorge: "Arte não é espelho liso e inteiriço. É, no máximo, água em correnteza, em tempestade, é apocalipse".
Pág. 81, sobre Ubirajara Galli: "O fazer poético é um parto doloroso, um grito sufocado, um aperto na garganta, um pontapé nos culhões".
Pág. 83, sobre O. G. Rego de Carvalho: "Ocorrerá ao leitor semelhar-se ele a um leigo em anatomia, a viajar pelas vísceras de um ser humano".
Pág. 97, sobre José Peixoto Júnior: "Papiro valioso como pintura de uma região e seus habitantes".

Grande Nilto Maciel!

WJ Solha

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