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segunda-feira, 10 de junho de 2013

Escrituração afetiva (Emanuel Medeiros Vieira)


(Tentativa de prosa Poética – com citações)




Para Gerônimo Wanderley Machado e Fernando Evangelista Vieira

“O futuro não nos traz nem nos dá nada. Nós é que, para construi-lo, devemos dar-lhe tudo”. (Simone Weil)

Queria oferecer-vos a escrituração da jornada.
Sofrer passa, ter sofrido não passa – Léon Bloy
Perdemos a noção do tempo?
Tudo se evapora.
Nada mais vale a pena?
A hiperrealidade é tão perfeita em sua falsidade (TV e similares) que toda experiência real parece sem graça.
Você sente dores no pescoço porque foi enforcado em outra encarnação – dizem alguns.
A asma é um pedido de socorro aos pais – acreditava Freud.
E a vida – onde ficou a vida?
Colecionador de funerais,
queria me desapegar de tudo.
Os ex-idealistas não conseguem mais se reconhecer no espelho.
Venderam a alma ao diabo, mas o preço é caro.
Escrituração da jornada?
Que nada!
Meditações (apenas) de um velho moralista.
O tempo passou por cima de nós.
“Pare de reclamar”, exorta um promotor interno.
Não, não é queixa.
O sol, mais um dia, pássaros cantando no domingo – e alvorece.
(Escuto “Você se Lembra”, na voz de Geraldo Azevedo.)
Morangos, um menino e seu boné, um trapiche, cheiro de maresia, um roda-gigante, uma ilha que só existe – mítica – no teu coração.
Sou apenas efêmero – sempre.
Em certa hora, não estaremos mais aqui e a velhice chegou.
Ria!
(A biografia de um artista não explica, nem justifica sua obra, mas elas se comunicam, como diria Merleau-Ponty.)
Sim, ria!

(Salvador, abril de 2013)

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