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domingo, 4 de agosto de 2013

Humano demasiado humano (Joedson Adriano)




O título tão nietzschiano desta apologia faz referência ao nietzschiano título do mais novo, terceiro e espero não último, livro-poema de Solha: Esse é o Homem, ecce homo que todo cristão e ateu deveria conhecer. É o cara. Numa época de poemas curtos e coloquiais, tudo pela facilidade, que não dizem quase nada, um poema longo que diz quase tudo, difícil na mais difícil das artes, muito fôlego e esforço pra inspirar a todos nós. Não é o tamanho do poema nem sua complexidade nem sua profundidade nem qualquer outra coisa específica que define sua qualidade geral, humanista sem bom nem mau sentido, renascentista, mas a qualidade mantida com intensidade em quase cem páginas é um milagre artístico. E este Everest, jovem e alto pra (se) superar (n)o mundo, e Grand Canyon, velho e profundo pra (se) submeter o(a) mundo, é a biografia provisória do Homem, em progresso, dos heróis que fizeram a História, de Jesus a Hitler, de Shakespeare a Brecht, de Solha a ele-mesmo, se tornando o que é: antena da raça. Com o subtítulo wittgensteiniano de Tractatus Poetico-Philophicus, Esse é o Homem me lembrou, ao epílogo (li tudo duma só vez), de O Filósofo Autodidata, novela alegórica em árabe do polímata (assim como Solha) Tufail, andaluz do século 12, a qual, mistura de Tarzan ou Mogli com Robinson Crusoé e Gulliver, é o homem entre feras com a necessidade de ser deus, aprendendo e ensinando, desenvolvendo razão e sentimentos, artes e tecnologias, filosofias, crenças e ciências, enfim, na estória de um homem a estória dos homens. Pensando grande, como Hamlet, Solha agiu grandemente, como Sansão, e mais uma vez, em busca de beleza e perfeição, mostrou seu poder (hereditário e erudito), o que é mais importante. Os dois poemas longos anteriores Trigal com corvos (mais pensante) e Marco do Mundo (mais brincante) se encontram aqui pra não parar mais.
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