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quinta-feira, 15 de agosto de 2013

O livreiro (Clauder Arcanjo)



Para Ronaldo Cagiano


Encimando a prateleira principal a frase, em letras góticas e vermelhas: “Um país se faz com homens e livros.” — Monteiro Lobato.
A mulher sempre a queixar-se do ramo que abraçara. “Nós vamos morrer de fome, Zacarias. Este é um país de analfabetos, homem!”
O negócio aberto pontualmente às sete da manhã. Aproveitava o vazio das primeiras horas para limpar os volumes expostos. Lá, o encontro com Machado de Assis, Dante, Eça de Queirós, Shakespeare, Balzac, Victor Hugo, Dostoiévski, Herman Melville, Gregório de Matos, Goethe, Cervantes, Camões... Velhos companheiros, sob uma fina camada de poeira.
O ajudante Nicolau Bartolomeu estranhava por que Seu Zacarias sempre escolhia arrumar a estante menos visitada.
— É ela que precisa de um bom espanador, meu caro. Os demais são sempre limpos pelos próprios dedos dos incautos!

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