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sábado, 21 de setembro de 2013

Cartas (Emanuel Medeiros Vieira)



 
(Para todos aqueles que ainda escrevem cartas)
Quem escreve cartas hoje? Não, não falo de meras mensagens eletrônicas. Estou falando de cartas escritas com paixão. Cartas carregadas de afeição. Refiro-me àquelas que são postadas nos correios. Quando enfrentamos filas, compramos e colamos selos. Quem escreve e recebe respostas destas cartas, sabe como é bom chegar às nossas casas nos crepúsculo de cada dia e encontrar uma dessas missivas de amigo. Não, não falo de convites, cartas institucionais, propagandas de cursinhos, de prospectos impessoais oferecendo remédios para calvície, gorduras e todos os infortúnios da alma e do espírito. Falo de cartas e amigos e de amadas. Carta, para mim, é aquela que contém pele, carne, sentimentos. Nesta crônica queria defender, como um Mário de Andrade reencarnado, a restauração do hábito de redigir cartas. Mesmo que fragmentárias, trôpegas, curtas. Carta onde a gente leva algo de nós próprios. Nos tempos da impessoalidade, da tecnologia, da obsessão do lucro, onde o Deus mercado impera escrever cartas pode não ser algo napoleônico, mas faz muito bem à alma. VIVA A EPISTOLOGRAFIA! Deixemos o pessimismo para tempos melhores... Os indivíduos morrem, porém a sabedoria que conquistaram ao longo de suas vidas não. A humanidade guarda toda a sua sabedoria, e cada um faz uso da sabedoria daqueles que o precederam, como salientou Leon Tolstoi. Amigo: escreva cartas! Termino com a iluminada Clarice Lispector, que também amava as cartas: “Até chegar à rosa foi um século de coração batendo”.

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