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quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Esse é o homem (Hilda Mendonça)





E foi nesta tarde fria e escura, que hoje, por incrível, nada tenho novo para ler, mas gosto de requentar boas leituras e assim, enrosco-me no sofá, embrulho-me em um cobertor e abro o livro de WJ Solha, gentilmente me enviado, com o devido autógrafo, pelo autor. Esse é o Homem, já lido assim que o recebi, com data de 22/6/2013, no entanto, acho que será agradável o contato com este longo poema, deste autor que eu já admirava na prosa e agora me surpreende também na poesia.

De início tenho vontade de dar-lhe um puxão de orelhas por deixar-nos, nós, pobres leitores sem pouco ou quase nada saber das vivencias do autor, já o tinha acontecido no Arcaditch. Sei, tem pessoas que não gostam de falar nada pessoal, mas meu querido Solha, quando publicamos um livro não é quase um desnudar-nos em público? Xá pra lá, como dizemos aqui neste cantinho de Minas, vamos ao livro.

Vou assim meio que em câmera lenta perpassando as páginas, os versos, estrofes, ideias formadas, e paro para atender ao chamado de Graziela para ver como uma torneira pinga, pinga, coisa muito apreciada por mineiros, mas esse pinga que ela diz é do verbo pingar e que me leva umas merrecas a mais na conta do SAAE quando a torneira pinga,e só me lembro que preciso de trocar quando alguém vê que a torneira pinga, é como a história do Urubu que só se lembrava de construir a casa em dia de chuva, estiava e ele se esquecia da casa.

Li até onde? Agora é um telefone que chama, assim não dá, por isso gosto de ler pelas madrugadas, ninguém me tira o deleite da leitura.

Eu estava na página 34, parei no verso: “Flagre-se a vida”. Mas não é um flagrante de vida, uma trajetória que começarem um não além, um ponto ou quiçá, sem ponto, não se vai, se vem sabe-se lá de onde há uma visão panorâmica de todos os caminhos já perseguidos em todos os segredos... e Solha às vezes passa com desenvoltura dos clássicos ao popular, santidades e profanos, e me emociona ao citar “lápis de carpinteiro, tão familiar!” Vejo meu pai riscando madeiras, lápis vermelho achatado que acabado o traço, ia descansar em sua orelha direita.

Vou posicionando minha câmera e paro, opa, que é isto? O verso, ou melhor, a estrofe, página 45, o autor a dizer que “ninguém pode, mesmo, perder o tempo do mundo a filosofá-lo, quando o que importa é alterá-lo”, pois não é? Mas Solha parece querer comportar em um longo poema o mundo e suas belezas e vicissitudes, e nota-se que há neste poema, fruto de muitas leituras, tentando juntar o injuntável, água/óleo, que passada suposta junção, continuam água e óleo. Outras vezes, (63) tenta estabelecer elo entre o antes,/agora e quase o faz, mas há o quase a interpor caminhos e chego à 84 onde o poema parece encaminhar “A vida – tão presivível quanto incompleta,/precisa,/de vez em quando um gol olímpico /ou de bicicleta”; “e vivemos atrás de pistas...” ser ou não ser, esse sobe e desce de escada e que eu, pobre Hilda Mendonça, assombração de meia-noite poderia achar ou não achar neste filosófico caminhar deste paraibano arretado WJ Solha, a não ser que após a leitura a gente se sente um cadim melhor neste instante de viver?!

Passos, Minas Gerais, tarde fria de setembro, 2013.

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