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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

W. J. Solha, qual o seu limite? (Tânia Du Bois)




“... Mas o que, / então / antes que tudo nos tomem, / é o homem?” (W.J. Solha)

Lembro-me de W. J. Solha nos anos 90, e das suas obras exposta no hall do Banco do Brasil, em João Pessoa. Sempre admirei o seu trabalho artístico e a sua capacidade criativa. Já na época me perguntava qual seria o seu limite. Hoje, lendo algumas de suas obras literárias (História Universal da Angústia, Sobre 50 livros que eu gostaria de ter assinado e Esse é o Homem), percebo que o seu limite é onde a imaginação o alcança na linha do horizonte.
        
        Essa pergunta provocativa norteia a vida literária e artística de W. J. Solha, onde seu desejo é o mais consciente sentimento, porque forma a teia de expectativas que aos poucos alastra a sua alma para alcançar ou ultrapassar o seu limite. 

Faço dessa pergunta o mote para as intervenções e, com ousadia, endosso suas obras literárias pela excelência de sua criatividade e linguagem em sua postura inquieta ao explorar ao máximo a sua produção e elevar a imaginação do leitor. Ele chega ao seu limite quando inova na arte brasileira, “... ou arte, / cujo fim põe o arremesso, / o começo, / onde se sabe – sem – receio – estar a verdade: / no meio...”

Algumas pessoas são metamorfoses ambulantes em busca de seus limites; tornam-se incomparáveis e têm suas quebras de paradigmas em áreas que transcendem ao cotidiano. Solha é uma delas, porque possui alto grau de conhecimento e cultura. E, assim, ele altera a visão do mundo, para revelar o seu limite de forma brilhante. É perfeito artista que faz referências à épocas e fatos; mostra os rastros do tempo no espalhar suas palavras ao vento e o seu limite no modo como re(a)presenta os símbolos da linguagem: atemporais e universais. Sua descrição e composição estão ancoradas na imaginação para com a feição literária, “... também público e notório que o Homem, / quando se junta, / forma outro Ser Provisório, / vivo , / complexo, / horrível, formoso, / que pode ser chamado, / com propriedade, / de o Povão... Misterioso...”

Até que ponto W. J. Solha tem consciência de que está no seu limite? Seu pensamento expressa a construção das palavras, dos sentidos e do viver e exercer a sua humanidade. Também, penso que o seu limite está atrelado à inúmeras páginas de experiências e rascunhos de ideias, com os quais pode reescrever os mistérios da vida.

Para Solha, criar é um dos segredos para a constante mistura da satisfação e limite, que o consome com a certeza de mudar a realidade (tão complicada que é). Essa realidade que, ao mesmo tempo em que provoca a nossa exaltação, em definitivo, não nos permite conceber a vida sem estarmos abraçados ao nosso limite. Em suas palavras, “... Mas o drama que nos irmana / é que o homem pode até fazer o que quer, / com este poema, / uma ode, / mas querer o que quer, / não pode...”

Para saber qual é o nosso limite, basta não desistirmos dos ideais e das ideias, que é na diferença que crescemos e nos transformamos, sempre atrás das obras literárias que nos fascinam por ultrapassarem os limites do nosso cotidiano, ao misturar as vozes que tecem e entrelaçam as trajetórias limítrofes. Para Solha, “... A vida – tão previsível quanto incompleta – / precisa, / de vez em quando, / de um gol olímpico / ou de bicicleta...”

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