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sábado, 2 de novembro de 2013

Balada, Noite n° 34 (Ranieri Basílio)



  










Então começa o seu discurso:
“O amor completa o ser completo.
Não divagamos turno a turno
Pra somente estarmos mudos,
Nem só vagamos num seleto
       Solo sem nexo.

Estamos bem. A morte foi
Um desejado instante nosso.
Mas não é mais. Agora posso
Dizer seguro: ‘nada dói’.
Nosso sorriso é nossa prova,
       Não nos reprova.

Talvez o sono não persista,
Talvez se vá ficando em paz.
Quem sabe? Nada se desfaz
Diante dos olhos, lenta a vista.
Fiquemos sós, nosso consolo
Será estar ‘sem nexo’ ou solo.
Vamos flanar, dizer adeus
       – Graças a Deus!

Junte seus dedos aos meus dedos
E completemos nosso dédalo.
Não se apavore que ainda é cedo,
Onde ficarmos será certo
Algum sabor de novidade.
       Zero-saudade.”

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