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sábado, 16 de novembro de 2013

Sobre Quintal dos Dias (Badida Campos)




 Nilto amigo:

li e terminei há pouco o seu delicioso livro "Quintal dos Dias". Sensação de ter lido um romance. O personagem principal (você, no caso), aparece em todos os "capítulos" e as descrições das alegrias e dores são comoventes. Baturité... (meu irmão casou com a neta do "Dr. João Ramos, com suas cem janelas"). Você foi um moço cercado de livros ("o jogador de bola cedeu lugar ao leitor" e cita o nome de meu pai como um dos seus autores. Incríveis os nomes das tribos indígenas que povoaram o Ceará e a sua memória é estupenda! Ah, e suas descrições de menino de interior: "Pelos punhos da rede, via o mundo escuro. Galos cantavam canções eternas no quintal de minha casa." Lindo! Minha mãe escreveu um livro autobiográfico ("Os galos da minha infância" e a história começa com ela menina e termina no dia em que conheceu meu pai, e explicava ter parado nesta época porque os "povos felizes não têm história".

O "Pedaço de Ferro" é maravilhoso! "Cavava buracos e poços, mudava o curso dos rios, derrubava florestas, revolvia montanhas". E você, como coronel mandão: " Faça-se ponte aqui. E vinha minha mãe a me contrariar: Saiam já de perto deste esgoto!" Ri muito. E que final de texto belo: "Súbito me vi na rua, só, sem mãe e sem brinquedo." Ah, você caminhou também, mesmo que por pouco tempo, por cima de tintas, pincéis e telas. E a mocinha chegando a sua casa, tocando a campainha e você: "A princípio, não lhe dei ouvidos. Dei-lhe todos os olhos".  Tive pena de Ailton. Morreu tão moço! E com a grande vontade de ver seus versos publicados. Pena grande também quando li que sua obra mais importante desapareceu num incêndio! E as bagunças, quando adolescente, no colégio! "Os professores liam fábulas e nós não queríamos saber nem de uvas, nem de raposas!" Delícia quando você, depois do texto sobre o recebimento dos prêmios, diz: "Agora peço, ao leitor paciente, permissão para me retirar. Preciso ler direitinho novo regulamento de concurso".

Enfim, amigo, me deliciei com seu livro. Minha admiração por você é grande, creia.

Receba o meu abraço afetuoso.

Badida

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