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quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Sombras e sons (Nilto Maciel)
















E eu, que não sou do rei
nem súdito ou vassalo,
por onde devo entrar?
E como proceder?
Não sei se falar deva,
levantar a cabeça,
dar passos de nobreza,
me comportar direito,
com modos de estrangeiro.
Onde amarrar meu burro?
E as pernas repousar?
Talvez sonhar nem possa.
As paredes esmurro
– escuro de masmorra.


Sois amigos del rei,
pisais dele tapetes,
com pés de passarinho.
Eu voo oculto em sons
e sombras. Passo ileso
pelas trincheiras vãs.
Escombros após morros,
sujeiras aos montões.
De cima vejo as torres,
colunas deste paço,
do palácio do rei.
Hienas, cachorros e outros
guardas me perseguem.

Vós andais entre os muros,
mãos dadas a princesas.
Aves sem plumas coçam
com bicos os poleiros.
Eu me escondo de todos,
com medo dos psius,
de apitos e sirenas.
para de perto ver
a solidão de amantes.

Ouvis sons de trombetas,
hinos sacros cantais.
Eu sou ocidental,
se sois orientais.
Do nascente cheguei,
do mistério dos mares,
se do poente sois.
Não sei de cançonetas,
nem de canções ou
Vós sois os menestréis,
as violas tocais
e recebeis esmolas
de condes e condessas.
Então me recrimino:
por que te escondes tanto,
se nada deves tu
ao erário real?
Que no palácio faço,
se sou de muito longe,
se sou nato plebeu?
Pois direi a verdade:
Quero a morte do rei.

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