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terça-feira, 24 de dezembro de 2013

O Natal de cada um (Nilto Maciel)



 
Chapeuzinho Vermelho beijou papai e mamãe, deitou-se na caminha e se preparou para dormir. Papai e mamãe se afastaram da menina, fecharam a porta do quarto e se esgueiraram pelos cantos. Feito gatos borralheiros, iriam tocaiar monstros, enquanto não dormissem.

À meia-noite, Papai Noel subiu ao telhado da casa, encontrou a telha vã e avistou o corpo dormido da garotinha. Alisou a barba, lambeu os beiços e se pôs a descer pelo escuro, feito rato de botas.



segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

Proust e Ruskin (Franklin Jorge)





Em seu exemplar prefácio a “Sésamo e os lírios”, Marcel Proust declara que um livro nunca pode nos contar aquilo que desejamos, mas tão-somente despertar em nós o desejo de saber, pois não é possível recebermos a sabedoria de outrem; é preciso criá-la por nós mesmos.

Proust sugere que o valor da leitura, na infância, não reside no livro em si mesmo [que no seu caso era “O Capitão Fracasso”, de Théophile Gautier] e, sim, nas lembranças inconscientemente conservadas nele, de tal forma valiosas para nosso julgamento atual que, se por acaso, voltamos hoje às mesmas páginas, não é só porque elas representam o único calendário que sobrevive dos dias desaparecidos.

domingo, 22 de dezembro de 2013

Presentes de Natal (Luiz Martins da Silva)



Cena I

Pai:
– Filho, quero de você um presente!
Filho:
– Não enche, velho.

[Mas, naquele Natal o “velho” não ‘encheu’ e o filho não se drogou].


Cena II

Esposa:
            – Amor! Posso lhe pedir um presentinho de Natal?
Esposo:
            – Pode, não!

[Mas, naquele Natal o marido ‘não bebeu’].


Cena III

Neto:
            – Vô, você vai aparecer na Noite de Natal?
Avô:
            – Querido, eu trabalho de Papai Noel...


[Mas, naquele Natal, o “bom velhinho” foi o próprio Vovô].


Cena IV

Namorado:
            – Amor! Neste Natal, adivinha o que eu quero!
Namorada:
            – Sem camisinha, não vai rolar!

[Mas, naquele Natal, fizeram um teste de HIV].


Cena V

Doente:
            – Na Noite de Natal, me dê um sonífero!
Enfermeira:
            – Pode deixar, você vai sonhar com Papai Noel!

[Mas, naquela Noite de Natal, houve confraternização no Hospital].


 Cena VI

Assaltante:
            – Criança! Avise lá que o Papai Noel chegou!
Criança:
            – Mãe! Tem um homem lá fora, dizendo que ele é Papai Noel!

[Mas, naquela Noite de Natal, o assaltante virou convidado].


Cena VII

Carcereiro:
            – Indulto de Natal! Feliz Natal!
Preso:
            – Adeus! Feliz Ano Novo!

[Mas, depois daquele “saidão”, o beneficiário retornou].


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sábado, 21 de dezembro de 2013

Amor, sempre amor (Francisco Miguel de Moura)







(Quadro de Badida Campos)

Eras tu a mais linda da cidade.
E eu cheguei, um matuto impertinente,
apelidado até de inteligente
por colegas, amigos na verdade.

Teus sorrisos me enchiam de vaidade
e àqueles que te tinham de inocente,
e a mim me enfeitiçaram de repente,
como ninguém calcula. Ninguém há de

saber o que lutei para ganhar-te,
para querer-me ali, e em qualquer parte,
e, enfim, nos enlaçarmos com ardor.

Fogo em que conservamos, te asseguro,
a minha felicidade e o teu futuro
para viver tão puro e santo amor.


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sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Refúgio de Sonhos (Hilda Mendonça)

 

Recebi, com alegria, mais um lindo livro de poesias do amigo Vili S. Andersen, de Brasília, e confesso: nada melhor que receber de presente de Natal um livro de poesias, ainda mais sendo de um poeta que admiro e com poesias tão ricas.

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Um pouco mais de Dôra (Ronaldo Monte)




Ela guarda a dor em seu nome, mas a dor não demora em sua alma. Ela reparte suas dores com quem as merece: todos nós que sofremos e fazemos sofrer. Ela é Dôra Limeira, a que dói e dá frutos.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

A filosofia e a evolução da geografia, consoante o engenheiro-geógrafo prof. Caio Lóssio Botelho (Vianney Mesquita*)

(Caio Lóssio Botelho)

Não chegaremos a ser filósofos, embora tenhamos lido todos os raciocínios de Platão e de Aristóteles, se não pudermos emitir um juízo firme sobre as questões propostas, porque, neste caso, há de parecer, não aprendemos ciência, mas simples história (EPITECTO – Sec. I, filósofo estoico, nascido na Frígia – Ásia Menor).

1 Razões Preliminares


Nosso amigo e ex-professor, engenheiro-geógrafo Caio Lóssio Botelho, docente da Universidade Estadual do Ceará e ensaísta de nomeada no terreno das Ciências Corológicas, ora vive com a doença de Alzheimer, sendo tratado com o máximo desvelo por sua mulher e colega de ofício, Professora Maria José Rondon Régis Botelho.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Trem a deslizar nos trilhos (Nilto Maciel)



Recentemente estivemos com Simone Pessoa e Alexandre Brandão. Hoje é a vez de À flor da pele (Mossoró, RN: Sarau das Letras, 2013), de Fátima Feitosa; e O ferroviário: Palmiro dos Santos (São Paulo: LP-Books, 2012), de Arine de Mello Jr. Lidos, telefonei a Cleto Milani: “Tenho comigo dois opúsculos novos. Deseja conhecê-los?” Marcamos encontro. Fomos tomar café ao Shopping Benfica. Quando lesse, fosse à minha morada. Teríamos assunto para boa prosa.


Balada, Noite nº 36 (Ranieri Basílio)




 





 (Quadro de Badida Campos)

... E pelo espírito do eclético
Exasperou-se o que concebe
Todas as chamas, intense energy.
O que mais tenho, mas mais peço,
De fato sabe combinar
       O que é amar.

As intensões se mostram:έ
Nem todos podem mais amar,
Secos descansam do ser que há.
Meditam horas. Combatê-los
No amor não podem, só pedir
       Pra si sentir.

Somos difíceis, perseguimos
Coisas que muitos não desejam.
Não que gostemos, com certeza,
De ser do contra. Peregrinos,
Nós caminhamos lado a lado
(Esse o motivo em ser calados).
Não carecemos nos temer,
       Somente ser.

έo fim dessa jornada,
A chama viva no desejo
De ser completo, pois que nada
Sem ter amor será inteiro.
Porque no amor e no seu rito
       Se faz o espírito.

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domingo, 15 de dezembro de 2013

Nota prévia* (Ascendino Leite)



 
A gente pensa que é só abrir uma porta na fachada da mente e já se estar nas proximidades da poesia. O problema não é este. A poesia não se dispõe como objeto para se acomodar em algum escrínio; que é ela que aparece e fica na direção em que possa dizer que os olhos são dela e, ainda no seu domínio, jogar em nossa percepção os seus ricos mas invisíveis modos de aliciar-nos à sedução dos seus mistérios.

           

sábado, 14 de dezembro de 2013

Anônimos (Paulo Lima)



Esta história poderia começar numa livraria, um espaço que é de todos e não é de ninguém, onde ser surpreendido é uma forte motivação para quem ali adentra. Ser surpreendido por um grande livro, ou não tão grande assim, mas digamos que bom o suficiente para quem o descobriu, um prazer que pode se tornar ainda mais relevante se a tal descoberta resultar dos desígnios do acaso. O leitor tropeçou na obra, sentiu-se atraído pela capa, talvez pelo título, ou por um início arrebatador.  Ele pagou pela obra, certo de que havia conquistado o direito de avançar num território desconhecido e emocionante.
             

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

A arte de pitaquear (Clauder Arcanjo)




Para Lilia Souza

Somos regidos pela constelação da curiosidade, sob forte e zodiacal influência da vaidade, mas, graças a Deus, sob as bênçãos do signo da estrela da beleza.

Abro assim, quase em compasso de astrólogo, a página de hoje, porque quero discorrer acerca de uma arte (e de uma prática) que a ela tenho dedicado (bem como tenho sido aquinhoado) boa parte dos meus esforços de pretenso literato, de comezinho cronista provinciano. Calma, contenha a sua curiosidade, darei detalhes.


quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Mandela (Emanuel Medeiros Vieira)





“Certas pessoas, raríssimas, parecem acima da condição humana. Nelson Mandela foi um desses seres inexplicáveis. Passar na prisão 27 anos, com a consciência de que só lhe acontecia assim por defender uma das mais grandiosas causas universais, e emergir desse massacre sem ressentimento, com propósitos e atos de quem fosse servido por 27 anos com o melhor da vida – isso excede o humano. O animal homem não é assim.” (...) (Jânio de Freitas)

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Joia rara (Caio Porfírio Carneiro)





                                       
  Dê-me a vareta e pode ir embora. Não precisa ficar me atrapalhando. Vou percorrer essa beira do riacho, todo o trecho em que estivemos aqui. Você é tonta mesmo. Lhe dei um presente raro, tradição da minha família, e você nem deu bola. Meteu no bolso do vestido e nem um beijo ganhei de presente. Perdeu e, ainda por cima, pôs a culpa em mim. Eu o quê? Rasguei o seu vestido? Queria mais do que um beijo? Vá embora, para eu poder procurar em paz. Não fique me aporrinhando. Se eu achar aviso. Vá com Deus. Desapareça. Tchau.

Ela se foi irritada, falando pelos cotovelos, e eu fiquei procurando a joia rara, nervoso e buscando manter a calma. Risquei o chão com a vareta, ao longo do pequeno riacho que corria entre as pedras. Fui e voltei inúmeras vezes, pisando com cuidado. Cansado, sentei-me numa das pedras do riacho, respirando fundo. E não me conformava: "Meu Deus! Por que fui dar objeto de família tão raro para ela? Pensei que, com esse presente, ela... pois... é... cedesse. Vamos lá."

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

O homem desoriental – XV (Mariel Reis)




 



(Quadro de Badida Campos)
 
Metade de nós está no presente
A outra permanece invisível no tempo;
Parte de nossa carne, poeira e vento
E a outra passa incólume à tempestade.

Metade atravessa o vale do esquecimento
Enquanto a outra arde em saudade,
Da parte que cai no desaparecimento -
Uma nuvem de areia sobre a cidade.

Uma parte de nós é constância
Enquanto a outra, substância volátil;
Que fundida ao infinito do espaço
Alerta-nos de nosso breve trânsito.

Ó Allah, ensina-me o segredo do silêncio
Permita-me aceitar a minha morte,
Qual o truque de um mágico
Que me guardasse junto das coisas eternas.

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segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

O mundinho das palavras (Nilto Maciel)





Dos objetos de arte recebidos no final de novembro de 2013, uns deixei a dormir na estante; com outros fiquei horas. Se os carteiros não entrarem em greve e se eu ainda fizer parte do clube dos leitores abençoados por Deus, espero ganhar muitos outros, até o último minuto deste ano. E preencher mais algumas linhas de meu caderno de inutilidades.


domingo, 8 de dezembro de 2013

Para além do texto literário (Adelto Gonçalves*)



  

          
    I
A revista Estudos de Literatura Brasileira Contemporânea, do Grupo de Estudos em Literatura Brasileira Contemporânea, da Pós-Graduação em Literatura da Universidade de Brasília (UnB), em seu número 37, de janeiro a julho de 2011, traz um dossiê de 11 ensaios sobre Literaturas e outras linguagens, além de três artigos que discutem obras do poeta Ricardo Domeneck e dos romancistas Mário Sabino e Clarice Lispector (1920-1977) e a resenha de Fisiologia da solidão (plaquete) e do livro Artes plásticas, de Ricardo Lísias, assinada por Victor da Rosa, mestre em Teoria da Literatura pela Universidade Federal de Santa Catarina.


sábado, 7 de dezembro de 2013

Momento (Inocêncio de Melo Filho)



  







Não dura mais esse afeto
Não dura mais esse momento
Não dura mais essa memória
Não dura mais esse amor
Não dura mais esse orgasmo...
Tudo perece
E o fim dessas coisas nem incomodam
Pois logo se refazem
Preenchendo as lacunas.

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sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

O imaginador (Tânia Du Bois)



(Quadro de Badida Campos)


Imaginador é a palavra chave para entender a comovente vida. O imaginador é quem reflete tudo o que se tem de bom e ruim, como redescoberta. É quem encontra momento para a arte e a comunicabilidade das obras, não permitindo espaços vazios em tempos de clichês.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Passeio pelo Brasil (Nilto Maciel)





A coletânea Mapas de viagem (Niterói: Alternativa, 2012) me foi enviada por Alexandre Brandão. Brinde pré-natalino. São 14 dramas, ao todo, dois de cada autor: o próprio Alexandre, Cristina Zarur, Marilena Moraes, Miriam Mambrini, Nilma Lacerda, Sônia Peçanha e Vânia Osório. Os sete se conheceram em 1991, numa oficina literária. E este é o terceiro volume publicado pelo grupo.


Definição de sonho (Carlos Nóbrega)













Como é que pode –
de nosso olho fechado
vazar a luz!

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