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segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Você condenaria um beijo? (Tânia Du Bois)


“Há duas espécies de beijo, “o beijo puro, no rosto ou na mão, será permitido” e o outro, “o chamado beijo de Hollywood” – que desperta outra sensação e é chocante quando praticado em público – e que “será reprimido pela polícia”. (Gabriel García Márquez)


Condenar o beijo significa, no mínimo, excesso de falso pudor por parte da sociedade. É típico das sociedades sexualmente tensas.

O beijo é gesto de carinho e é contraditório pensar em condená-lo enquanto existirem guerras, assassinatos, drogas, fome e pobreza, sem que nada aconteça para os condenarem.

E, se de repente uma pessoa der um beijo e for condenada, faria sentido? Faria sentido as pessoas aprenderem a gostar umas das outras, darem importância ao que realmente importa, a respeitarem as diferenças no nosso viver, aí sim, talvez o mundo não fosse tão violento. Carinho... todos precisam de carinho! Segundo Almandrade, “O ar nos esconde / quando tudo / não é imagem / aroma de poesia / o amor tornou-se / um mar de papel / o olhar e o beijo / alegria passageira”.

A condenação ao beijo acaba com a espontaneidade e a naturalidade das pessoas, pois é ato que não pode ser dado sem ser recebido e não pode ser recebido sem ser dado.

Pensem se a moda pega: quem beijar ficará de castigo! Estou falando de um beijo no rosto, um beijo de amigo. Não seria outro absurdo? Como retrata Mário Quintana, “... Um susto do mundo / que está deste lado... / Que sonho sonhei / que sinto ainda um gosto / de beijo apressado?”

Afinal, todos sabem que dar e receber um beijo são dos melhores atos da vida. Beijar um colega, um amigo, no rosto, é apenas manifestação de carinho e amizade. As pessoas devem receber orientação dos pais, dos familiares e da escola, em vez de punirem o beijo.

Imaginem se nas cidades fossem espalhados cartazes: “É proibido beijar na rua”, ou “É proibido beijar na escola”. Seria o tipo de ordem que não poderia ser aceito, até porque, o fato de se estar aos beijos com alguém não significa problema, mas sim prazer e alegria. O único problema é controlar a emoção. O beijo toma conta do corpo e da mente. Como diziam os antigos, “A emoção fala mais alto do que a razão.” ou, “A razão desce quando a emoção sobe à cabeça.” O coração dispara e você tenta reagir. Cada vez que beija aquela pessoa em especial sente a vida mais bonita do que realmente é. O beijo é o termômetro para os sentimentos. Márcia Maia expressa, “... olhando as tuas mãos vazias / que eu afago / e a tua boca / que eu beijo / todo dia / sem que me veja”.

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